O Papa ao Conselho Ecumênico: trabalhar pela reconciliação das diferenças

“Que os Santos Cirilo e Metódio, «precursores do ecumenismo» nos ajudem a trabalhar pela reconciliação das diferenças no Espírito Santo; por uma unidade que, sem ser uniformidade, se revele sinal e testemunho da liberdade de Cristo, o Senhor que desata as amarras do passado e nos cura dos medos e da timidez”, disse ainda Francisco.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Na tarde deste domingo (12/09), o Papa Francisco deixou o solo húngaro e se dirigiu para Bratislava, na Eslováquia, dando prosseguimento à sua 34ª viagem apostólica internacional.

Na Nunciatura Apostólica de Bratislava, o Pontífice encontrou-se com o Conselho Ecumênico das Igrejas na República Eslovaca.

“Este encontro é um sinal de que a fé cristã é – e quer ser – neste país semente de unidade e fermento de fraternidade”, disse Francisco que a seguir, acrescentou:

O caminho de suas comunidades pôde ser retomado após os anos da perseguição ateia em que a liberdade religiosa esteve impedida ou sujeita a dura prova. Agora, vocês têm em comum uma parte do caminho, experimentando como é belo, mas ao mesmo tempo difícil, viver a fé em liberdade. De fato, existe a tentação de voltar a ser escravos, não certamente de um regime, mas de uma escravidão ainda pior: a interior.

“Daqui, do coração da Europa, perguntemo-nos: Será que nós, cristãos, perdemos um pouco o ardor do anúncio e a profecia do testemunho? É a verdade do Evangelho que nos faz livres, ou então sentimo-nos livres quando alcançamos áreas de conforto que nos permitem gerir a vida e avançar tranquilos sem particulares contratempos? Contentando-nos com pão e segurança, será que não perdemos o ímpeto na busca da unidade que Jesus implorou, uma unidade que certamente requer a liberdade madura de opções fortes, renúncias e sacrifícios, mas é a premissa para que o mundo creia? Não nos preocupemos apenas com o que possa ser útil às nossas próprias comunidades; a liberdade do irmão e da irmã é também a nossa liberdade, porque, sem a dele e a dela, não será plena a nossa liberdade”, disse ainda Francisco.

A seguir, o Papa recordou os santos Cirilo e Metódio, responsáveis pela expansão do cristianismo entre os eslavos do Leste europeu, dizendo que ali, “a evangelização nasceu de modo fraterno, trazendo impresso o selo dos santos irmãos de Tessalônica”.

Que eles, testemunhas dum cristianismo ainda unido e inflamado pelo ardor do anúncio, nos ajudem a continuar o caminho, cultivando entre nós a comunhão fraterna no nome de Jesus. Caso contrário, como podemos desejar uma Europa que reencontre as suas raízes cristãs, se somos nós os primeiros desarraigados da plena comunhão? Como podemos sonhar com uma Europa livre de ideologias, se não temos a coragem de antepor a liberdade de Jesus às necessidades dos grupos particulares de fiéis? É difícil exigir uma Europa mais fecundada pelo Evangelho sem se preocupar com o fato de ainda não estarmos plenamente unidos entre nós no continente e sem cuidarmos uns dos outros. Cálculos de conveniência, razões históricas e laços políticos não podem ser obstáculos irremovíveis no nosso caminho.

“Que os Santos Cirilo e Metódio, «precursores do ecumenismo» nos ajudem a trabalhar pela reconciliação das diferenças no Espírito Santo; por uma unidade que, sem ser uniformidade, se revele sinal e testemunho da liberdade de Cristo, o Senhor que desata as amarras do passado e nos cura dos medos e da timidez”, disse ainda Francisco.

“A unidade não se alcança tanto com os bons propósitos e a adesão a qualquer valor comum, mas fazendo algo em conjunto por aqueles que mais nos aproximam do Senhor. Quem são? Os pobres, porque neles está presente Jesus”, frisou o Papa, acrescentando:

A partilha da caridade abre horizontes mais amplos e ajuda a caminhar mais rápido, superando preconceitos e equívocos. Trata-se de um traço que encontra também genuína aceitação neste país. Que o dom de Deus esteja presente sobre a mesa de todos, pois, embora ainda não possamos partilhar a mesma Mesa Eucarística, podemos hospedar juntos Jesus, servindo-O nos pobres. Será um sinal mais sugestivo do que muitas palavras, que ajudará a sociedade civil a compreender, especialmente neste período doloroso, que só estando do lado dos mais fracos poderemos sair verdadeiramente todos da pandemia.

Por fim, o Papa disse que “o caráter sereno e acolhedor, típico do povo eslovaco, a tradicional convivência pacífica entre” eles, e a “sua colaboração em prol do bem do país são elementos preciosos para o crescimento do Evangelho”. Francisco encorajou a “prosseguir no caminho ecumênico, tesouro irrenunciável e valioso”.

Vatican News

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