Os desafios da globalização


Por Faustino Teixeira


Os recursos do catolicismo talvez estejam em outro lugar, e não mais nos países de antiga presença na Europa? Em algumas regiões do mundo, existem de fato áreas particularmente dinâmicas. “Na África, explica Philippe Portier (vide foto acima), de 1965 ao início dos anos 2000, o cristianismo passou de 25% para 46% da população. Este aumento diz respeito tanto ao catolicismo quanto aos evangélicos. Existem também centros de desenvolvimento na Ásia, como na Coreia ou na Índia”.

Mas esta globalização, por sua vez, coloca desafios específicos ao catolicismo, cujo nome também significa “universal”. “Nos territórios onde é apresentada, a Igreja é confrontada com uma pluralidade de formas de compreender a fé”, que se expressa através de teologias ou abordagens rituais particulares, nota Philippe Portier. O Papa Francisco tenta dar um enquadramento para gerir essa diversidade, em particular através do caminho sinodal.

Isso não acontece sem tensões. No sínodo dedicado à Amazônia, em outubro de 2019 em Roma, opositores do papa argentino roubaram, na igreja onde foram colocadas, algumas estatuetas representando a Pachamama, a Mãe Terra da tradição andina, e as jogaram no Tibre. Eles acusaram Francisco de ter cometido um ato de “idolatria” durante uma cerimônia nos jardins do Vaticano na presença de imagens da Pachamama.

A pluralidade constitui uma dificuldade particular para o catolicismo, no qual “a noção de Igreja está carregada de uma dimensão teológica particular – que não existe em outras tradições -” com pretensão universal, assinala Denis Pelletier: a unidade é indispensável a essa instituição religiosa. Além disso, a Igreja Católica é “construída em torno da centralidade de Roma”.

“Há mil e quinhentos anos, a história se construiu em torno da Europa, com uma vocação majoritária. Mas hoje, se a América Latina for excluída, onde a Igreja Católica é mais dinâmica, é minoritária. Eclesiologicamente, isso tem consequências. Em particular, levanta o problema da articulação entre religião e política”.

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