A Igreja Católica no Pacto Pela Vida

Por: Pedro Ribeiro de Oliveira
Integrante da Coordenação do Movimento Nacional Fé e Política

Representada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – a Igreja Católica Romana uniu-se a outras cinco entidades da sociedade civil para juntas tomarem posição diante da realidade de mais de meio milhão de mortes provocadas pelo coronavirus. Realçamos aqui duas dimensões dessa iniciativa.

A primeira é de ordem teológica: manifesta a orientação do Concílio Vaticano II de colocar-se a Igreja em diálogo com o mundo secularizado. A CNBB encabeça a lista em que estão a Ordem dos Advogados do Brasil, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, a Academia Brasileira de Ciências, a Associação Brasileira de Imprensa e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Ao juntar-se a instituições de inquestionável prestígio, para protestar contra o descaso do governo e clamar em defesa da vida, a CNBB reafirma sua sintonia com o Papa Francisco que quer uma Igreja em saída, porque sua missão se faz no mundo e não somente no espaço sagrado.

A segunda dimensão a ser realçada está no próprio conteúdo da nota, que retoma o Pacto Pela Vida e Pelo Brasil, endossado há pouco mais de um ano pela CNBB e outras organizações. Ainda no início da pandemia, aquele pacto pedia “medidas firmes, guiadas pela ciência, para conter o seu alastramento”, e previa que a “crise sanitária atingiria de forma desigual a população brasileira, afetando particularmente os mais vulneráveis”. Naquele momento o Brasil tinha a possibilidade de controlar o avanço da epidemia por meio de políticas de saúde bem fundamentadas e coordenadas. Mas hoje são 500 mil vidas perdidas!

Diante dessa lamentável realidade, o manifesto traz uma palavra de esperança “sempre necessária para confortar as milhares de famílias afetadas pela perda de entes queridos”, mas denuncia com “estranheza, e também indignação, as manifestações contrárias às medidas recomendadas por organismos sanitários, no cuidado e na promoção da vida humana”. E vai à raiz do problema: “É incompreensível, especialmente por parte do Presidente da República, no exercício de suas atribuições constitucionais, a promoção de aglomerações com objetivos ideológico-políticos, estimulando comportamentos sociais com risco epidemiológico. Tais atitudes são um atentado contra a vida e contra os valores democráticos”.

Após criticar quem promove “o uso de medicação sem eficácia no combate ao vírus” e o “descrédito da ciência” o manifesto expressa o desejo de “que a CPI, ao concluir seus trabalhos, elucide a verdade dos fatos para os brasileiros, podendo abrir um novo capítulo em nossa história democrática”. E ressalta: “a falsa oposição entre salvar vidas e salvar a economia, que ainda alimenta o discurso oficial, revela a estratégia de quem não faz nem uma coisa nem outra.”

Ao terminar, as entidades afirmam seu compromisso com o Estado democrático de direito e denunciam o “vazio de políticas públicas no âmbito da saúde, educação, cultura, meio ambiente, moradia, emprego, geração de renda e apoio à ciência e inovação”. O resultado é uma “sociedade que se sente confusa, abandonada e adoecida”.


Por tudo isso, “se, por um lado, a morte de tantos requer o silêncio respeitoso e as preces dos que têm fé, de outro lado, conclamamos mais uma vez a união nacional em defesa da vida e da democracia no Brasil. Dias melhores virão. Seja esta a bandeira de um novo tempo. Vidas perdidas não serão esquecidas.

In: Movimento Nacional Fé e Política

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