A religião de Jesus

Por Ivete Holthmam

Conhecemos a família de Jesus com José e Maria, mas pouco ou quase nada conhecemos da tradição religiosa na qual Jesus nasceu, cresceu , aprendeu e viveu até o ultimo instante de sua vida. Realmente esta é uma questão pouco abordada no cristianismo. A maioria de nós costuma pensar que Jesus foi cristão. Mas, não é esse o caso. Então, qual era a sua religião? Sua tradição é milenar. Já ouvimos falar de toda a história do povo hebreu. Pois é aí dentro dessa tradição, preparada por séculos que Deus quis fazer sua morada. É uma tradição rica em oração, em relação profunda com Deus, no empenho em estudar com alegria a Torá, na vivência das festas que expressam e alimentam o sentimento religioso.

A partir do período do segundo Templo (586 a.e.c), bem antes de seu nascimento, sua religião já era conhecida como Judaísmo. Muitas vezes nos perguntamos como teria sido a vida da Família de Nazaré nos anos de crescimento do menino Jesus, sobre os quais não temos muitos dados nos quatro Evangelhos. Costumamos dizer que era uma família bem integrada e feliz: diálogo, afeto, amor a Deus, esperança no Senhor eram realidades presentes. Mas não se costuma dizer que essa família guardava o sábado, celebrava a Páscoa judaica, fazia peregrinações no Templo, não comia certos alimentos proibidos na Escritura (Lv 11,1-23), praticava a circuncisão e os rituais judaicos da purificação (Cf. Lc 2,22-24), frequentava a sinagoga (Lc 4,14-15) enfim, vivia de acordo com os mandamentos e seguia os ensinamentos dos rabinos. A família de Nazaré, foi de fato uma ótima família, viveu bem ao estilo de sua cultura judaica: o Evangelho de Lucas apresenta a significativa cena de Jesus circuncidado no oitavo dia, apresentado no Templo para o resgate como prescrevia a Lei de Moisés, oferecendo os sacrifícios determinados pela tradição judaica (Lc 2,21-23). Mais tarde, já adolescente, o Evangelho nos apresenta Jesus participando, querendo aprender, questionando os mestres, pois já era “Filho do Mandamento” (Lc 2,41-46). Como adulto, o Evangelista de João nos mostra Jesus dizendo à mulher samaritana que “a salvação vem dos judeus” (Jo 4,22). E em Mateus, afirmou que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la (Mt 5,17). Sobre os fariseus, disse: “Fazei e observai o que eles vos dizem” (Mt 23,3). E como bom mestre, reclamava quando eles, que estavam sentados na cátedra de Moisés, não colocavam em prática a Torá.

É neste contexto que o cristianismo brotou, cresceu e se expandiu pelos quatro cantos da terra. No entanto, quase sempre esquecemos que os judeus “são nossos irmãos mais velhos na fé”, como foram definidos por São João Paulo II quando visitou a sinagoga de Roma. A crença no Deus único, a confiança na presença amorosa de Deus que liberta, a aliança feita com Abraão, Isaac, Jacó, a revelação através de Moisés transmitida nas Escrituras, a importância, da prática da justiça, do culto, da oração, do amor ao próximo. Isso tudo e muito mais, é herança judaica, que está nas raízes da nossa fé cristã. Com eles temos muito a aprender. Compreendendo melhor toda tradição religiosa judaica na qual Jesus esteve inserido e se expressou, iremos entender melhor o que o Evangelho quer comunicar.

Fonte: abiblia.org

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s