Os Pobres nos provocam a bem entender e viver o Evangelho

Por Hermes de Abreu Fernandes

Andando pelas cidades, vemos muitos homens e mulheres caídos. Jogados ao esquecimento ou à omissão da sociedade e, (por que não?), da Igreja. A omissão não pode ser atribuída ao costume. Não podemos ver com normalidade a miséria alheia. Fato é que muitos de nós, cidadãos de bem e cristãos e cristãs de boa vontade, nos fizemos insensíveis. Às custas de buscar uma sociedade para os notáveis, uma Igreja sustentada pela sã doutrina; tornamo-nos repetidores de sentenças descontextualizadas, políticas desumanas, doutrinas vazias de Deus.

Desde o início do pontificado de Francisco, exortações que refletem o desejo de uma fé encarnada na vida do Povo de Deus, por uma Igreja comprometida com os menos favorecidos, reflexo da face misericordiosa do Pai; se fazem presentes. Há quem se entusiasme por esta renovação dos sonhos do Concílio Vaticano II. Há quem se rebele, se revolte. Saudosos de uma outra Igreja. Comprometida com seus dogmas, vazia de sensibilidade com seu próprio povo. A novidade do Concílio Vaticano II sofre constante ataque daqueles que sentem-se espoliados de seu lugar. Ledo engano. O lugar na Igreja é conferido pelo Evangelho. Não por ministérios ordenados, ou não. Estes, só se justificam quando refletem o projeto de Jesus: o Reino de Deus (cf. Mt 6,33). Enquanto debatem teologias, dogmas, ortodoxia; nossas ruas pululam pobres. Abandonados. Esquecidos. Agredidos pela fome, frio, desalento.

Voltemos aos Evangelhos: Lendo Lucas, Mateus, João, Marcos; o que podemos ver? A quem se dedicou a atenção de Jesus? Onde ele estava mais presente (cf, Mt 21,28-32)? Nos palácios? Nas elites? Ou, com leitura atenta, percebemos que a opção pelos pobres da Igreja foi incrustada na própria opção de Jesus (cf. Lc 4,16-21;7,34; Mc 2,15-16). Não é uma opção Eclesial, é evangélica. Não se trata de teologias  (cf. Mc 2,23-28; Lc 11,3). É a essência da mensagem de Jesus. Sem esse apreço pelos pequenos, compromisso com suas dores, não pode haver Igreja, pois não há Jesus (cf. Mc 6,30-44; Mc 8,1-10; Mt 14,13-21). O único Cristo que podemos perceber por uma leitura sincera dos Evangelhos é o Messias dos Pobres.

Atentos à mensagem anunciada pelo Mestre, imbuídos de fidelidade evangélica; renovemos nosso compromisso com os pequenos. Este foi feito, primeiro, por Jesus. Sejamos seguidores deste que nos inspira e nos restaura para uma vida plena. Restaurados pela Nova Aliança, plenifiquemos a vida dos que nos cercam. Sejamos fraternos e solidários com os pobres. O contrário, não é fé em Jesus. Não está a serviço de seu Reino.

1 comentário Adicione o seu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s