Reflexão Litúrgica do 21º Domingo do Tempo Comum

“A quem iremos? Tu tens Palavra de vida eterna.”
(Jo 6,68)

Por Edilson Carvalho

Primeira Leitura – Livro de Josué 24,1-2a.15-17.18b

A aliança de Siquém

Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém e convocou os anciãos de Israel, seus chefes, seus juízes e seus escribas: eles se apresentaram na presença de Deus. Josué disse a todo o povo: Mas, se não vos apraz servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir, ou os deuses que vossos pais serviram quando estavam do outro lado do rio, ou os dos emoritas, cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”. O povo respondeu: “Que abominação seria nós abandonar o SENHOR para servir deuses! Pois é o SENHOR que é nosso Deus, ele que nos fez subir, nós e nossos pais da terra do Egito, da casa da servidão. Ele realizou ante nossos olhos estes grandes sinais: protegeu-nos ao longo de todo o caminho que percorremos e entre todos os povos no meio dos quais passamos. Também nós serviremos ao Senhor, pois é Ele nosso Deus.

Reflexão da Primeira Leitura

O contexto do Livro nos mostra intenção do Rei Josias em unificar o povo em uma só terra e crer em um só Deus. Havia diversos deuses que o povo seguia, conforme iremos ver na leitura proposta. Ao lermos o livro inteiro, pode nos causar estranheza, devido a tantas guerras, mas é o modo que escreviam na época. Desta forma, se dava valor ao Rei, ao reinado e a seu povo. De maneira alguma, Deus aprovaria e nem irá aprovar ações bélicas, muito menos em seu nome. O rei inicia a reforma deuteronomista, expansão do território, unificação do povo, partilha das terras e eleva  Deus a um único Senhor da fé.

Segunda Leitura – Carta de Paulo a Efésios 5,21-32

As novas relações

Vós que temeis a Cristo, ‘submetei-vos uns aos outros; mulheres, sede submissas aos vossos maridos, como ao Senhor, Pois o marido é a cabeça da mulher, assim como Cristo é a cabeça da Igreja, ele, o Salvador do seu corpo. Mas, como a Igreja é submissa a Cristo, sejam às mulheres submissas em tudo aos seus maridos. Maridos; amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela; ele quis com isto torná-la santa, purificando-a com a água que lava, e isto pela Palavra, ele quis apresentá-la a si mesmo esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum; quis a sua Igreja santa e irrepreensível. É assim que o marido deve amar a sua mulher, como o seu próprio corpo. Aquele que ama a sua mulher ama a si mesmo. Ninguém jamais odiou a sua própria carne; ao contrário, nós a nutrimos e cercamos de cuidado como Cristo faz para com a sua Igreja; não somos nós membros do seu corpo? É por isso que o homem deixará o seu pai e a sua mãe, ele se ligara a sua mulher, e ambos serão uma só carne. Este mistério é grande: eu, por mim, declaro que ele concerne a Cristo e à Igreja.

Reflexão da Segunda Leitura

A Carta de Paulo, começa com um aviso bem claro de Paulo, uma ordem. “Vós que temeis a Cristo, ‘submetei-vos uns aos outros’”. Faz um pedido à mulher e muitos outros ao marido. Paulo vai buscar base à sua reflexão em Gn 2,24: “Por isso o homem deve deixar pai e mãe, para unir-se à sua mulher e se tornarem uma só carne”. O texto todo, é como as parábolas que Jesus utilizava para narrar algo, ou solucionar algum problema comunitário, neste caso, a comunidade de Efésio. Paulo pede que cada um de nós, tementes em Cristo, sejamos o núcleo social primeiro, a primeira Igreja, onde há amor, respeito entre todos. Marido e esposa. Respeito entre os filhos, dos filhos para com os pais e dos pais com os filhos. Precisamos nos amar, como Cristo nos amou. Como Cristo e a Igreja é uma só carne, devemos ser também no seio familiar.

EVANGELHO – Jo 6,60-69

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João

A decisão da fé

Depois de o terem ouvido, muitos dos seus discípulos começaram a dizer: “Essa palavra é dura! Quem pode escutá-lo?”. Mas, sabendo em si mesmo que seus discípulos murmuravam a esse respeito, Jesus lhes disse: “Então, isto é para vós uma causa de escândalo? E se vísseis o Filho do homem subir para onde estava antes…? É os Espírito que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas há entre vós alguns que não creem”. De fato, Jesus sabia o princípio quais eram os que não acreditavam e quem o ia entregar. Ele acrescentou: “É por isso que eu vos disse: ‘Ninguém pode vir a mim se não lhe for concedido pelo Pai’”. A partir desse momento, muitos dos seus discípulos se retiraram e deixaram de andar com ele. Então Jesus disse aos Doze: “E vós, não quereis partir? Mas Simão Pedro lhe respondeu: “Senhor, a quem iríamos? Tu tens palavras de vida eterna. Quanto a nós, cremos e conhecemos que tu és o Santo de Deus.

Reflexão do Evangelho

Chegamos no final. Jesus usa de diversas parábolas para falar do Reino de Deus, Reino este que é bastante difícil de nos comprometer. O Reino de Deus tem como princípio a partilha com os irmãos. É neste ponto que muitos deixam de segui-lo, ou acreditam que o seguem, sem de fato o fazer. Na época de Jesus, queriam um rei, um rei para Israel, um rei guerreiro, que iria destruir as nações inimigas. Que teriam bens em abundância, bens materiais e muitas riquezas. Mas Jesus veio trazer somente a partilha e o amor entre nós. Jesus é a única coisa que nos é dada e de graça, pela misericórdia do seu Pai. Muitas vezes escolhemos a lógica humana, a lógica que exclui, a lógica que destrói nossa casa comum, a lógica do consumismo. Conseguimos, eu e você, seguir Jesus na partilha, no amor e no dom da vida, na defesa da casa comum?

Jesus nos dá “a carne e o sangue”, a última e eterna aliança, mas poucos querem se comprometer com essa ideia, com esta proposta.

De nada adianta ir às missas todos domingos, participar da eucaristia, orar, se não ver a manifestação de Deus tão próximo de mim. A manifestação de Deus está na pessoa ao lado, no sem-teto, no desempregado, no pai de família que está sem alimento.

COMPROMISSO

Nossa proposta de compromisso; é respeitar-nos enquanto família, sermos a primeira igreja de amor verdadeiro. Nossa sociedade, que está tão distante dos mais necessitados, nossa sociedade que em suas estruturas primordiais vem enfrentando sérias dificuldades e principalmente distantes da proposta do Reino de Deus. Todos precisam voltar para a estrutura familiar, que é onde tudo começa. Respeito, partilha com o outro, compromisso na defesa da vida plena e em abundância para todos, na defesa e cuidado da casa comum, que o Papa Francisco vem defendendo desde o início de seu papado, é que iremos nos comprometer realmente e definitivamente com “o corpo e sangue” que Jesus nos deu, selando a aliança com Deus.

É por isso que eu vos disse: ‘Ninguém pode vir a mim se não lhe for concedido pelo Pai’”. A partir desse momento, muitos dos seus discípulos se retiraram e deixaram de andar com ele. Então Jesus disse aos Doze: “E vós, não quereis partir? Mas Simão Pedro lhe respondeu: “Senhor, a quem iríamos? Tu tens palavras de vida eterna.

1 comentário Adicione o seu

  1. Moema Maia de Souza disse:

    Gostei, obrigada padre Hermes!
    Embora belíssimo o texto, e por mais que a boca fale, alguns corações não servem à DEUS, ouvem e servem apenas à sua egolatria quer sejam leigos quer sejam do clero.
    Muita PAZ!

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