Reflexão sobre a Liturgia do XVII Domingo do Tempo Comum

Por Edilson Carvalho

Irmãos e irmãs, hoje – 25 de julho – no XVII Domingo do Tempo Comum, vamos refletir a primeira leitura Segundo Livro dos Reis 4, 42-44, e na segunda leitura, a Epístola do Apóstolo São Paulo aos Efésios 4, 1-6. O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é segundo São João 6,1-15.


Por que refletir a leitura diária?


As leituras diárias, principalmente às de domingo, são para nós cristãos católicos o Bom dia que Deus Pai nos dá, os seus filhos. Com seu amor misericordioso ele, olha, escuta e nos acolhe. Com este Bom dia do Pai, nosso dia será todo referenciado e norteado na Sagrada Escritura que é inspirada pelo próprio Deus.


Jo 11,10, se alguém anda de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; mas se alguém anda de “noite, tropeça, porque a luz não está nele”


Para esta reflexão que nos é proposta neste domingo, precisamos nos situar na história econômica, política e religiosa em que o evangelista escreve.


João é a autoridade do evangelho, mas quem escreve é o discípulo amado que dá o testemunho destas coisas (Jo, 21,24) o discípulo amado que não sabemos quem foi e é bem provável nunca saibamos. Talvez tenha sido está a intenção do autor, de não ser ele o centro, mas que Jesus é o Cristo, que vem como Verbo encarnado, faz os sinais que viu junto de Deus, que é crucificado e que ressuscita. É nisto que deve ser nosso foco. O evangelho foi escrito entre os anos 90 e 100 d.C. É neste “mundo” que Jesus é crucificado e a todo momento armam ciladas para os discípulos seus.


A comunidade Joanina enfrentava um grande desafio, em conflito com as autoridades das sinagogas que expulsam os seguidores de Cristo. Vivem excluídos desta sociedade, marginalizados e perseguidos. Não há espaço social, econômico e religioso para os cristãos, que são desafiados a abandonar o “mundo”, que é uma sociedade excludente, corrupta. Marcada pelo egoísmo dos poderosos, tanto das sinagogas como o poderoso Império romano que neste momento é o mais violento contra os cristãos. Escolher Jesus e suas obras há sérias implicações. Denunciar esta sociedade, proclamar a verdade diante do testemunho comunitário é a exigência do evangelista João. O comprometimento com a proposta de Jesus, suas obras e as perseguições que advém desta opção. No ceio da vida comunitária, buscavam viver esta proposta e se existe vida, existe uma comunidade que produz frutos.


É uma comunidade que vive o amor. Comunidade de irmãos e amigos, “Eu vos chamo de amigos” (Jo,15,15).


Não há discriminação na comunidade. Existe a assembleia, onde todos devem ser iguais. Exemplo disso é o texto de Jo 15. Jesus é a videira e todos são os ramos. Os ramos são iguais. (Prof. Dr. Frei Ildo Perondi).

Neste momento estão totalmente afastados do legalismo e ritualismo judaicos, onde somente poucos decidem pela vida de toda comunidade. A proposta do evangelho segundo João é sempre o da esperança e da vida acima de tudo e o amor em comunidade.

No evangelho de João, não se fala em milagres, mas de “sinais” e um deles é a reflexão de hoje, Jo 6,1-15, Multiplicação dos Pães, onde o que existe é a fome, miséria e Jesus propõe à comunidade uma nova forma de vida, o do amor comunitário e o da “partilha”.


Vamos para as leituras:


2Rs 4,42-44
Multiplicação dos pães – Veio um homem de Baal-Shalisha e trouxe para o homem de Deus pão das primícias: um saco com vinte pães de cevada e de trigo novo. Disse Eliseu: “Distribui-os aos homens para que comam!”, seu ajudante replicou: “Como poderia eu distribuí-los para cem pessoas?” Eliseu repetiu: “Distribui-os aos homens para que comam! Assim fala o SENHOR: ‘Comerão e ainda há de sobrar”. “O ajudante distribuiu os pães em presença do povo. Eles comeram, e ainda houve sobra, de acordo com a palavra do SENHOR.


Ef 4,1-6
Aos batizados: edificar o corpo Cristo na unidade – A isto portanto vos exorto no Senhor, eu que estou “prisioneiro: “vivei a vossa vida de acordo com o chamamento que recebestes; em toda humildade e mansidão, com paciência, “suportai-vos uns aos outros no amor; aplicai-vos a guardar a “unidade do espírito pelo vínculo da paz.


Há um só corpo e um só Espírito, do mesmo modo que a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; “um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de “todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos.


Na primeira leitura, Eliseu manda distribuir pães ao povo, se parece com o gesto de Jesus. Mas há uma grande diferença, Jesus propõe um novo modo de vida que veremos no evangelho.


Na segunda leitura, a proposta da carta à comunidade de Efésios é a de vida comunitária em amizade e paz.


Vamos ao evangelho de Jesus Cristo segundo João, 6,1-15 – Jesus alimenta uma grande multidão. Depois disso, Jesus passou para a outra margem do mar da Galileia, também chamado mar de Tiberíades. Uma grande multidão o seguia, porque tinham visto os sinais que ele operava nos enfermos. Por isso, Jesus subiu à montanha e aí se assentou com os seus discípulos. Era pouco antes da festa judaica da Páscoa. Ora, tendo levantado os olhos, Jesus viu uma grande multidão que acorria a ele. Ele disse a Filipe: “Onde compraremos pães para que tenham o que comer?”. “Falando assim, ele o punha à prova, pois bem sabia o que ia fazer. Filipe lhe respondeu: “Duzentos denários de pão não bastariam para que cada um recebesse um pedacinho”. Um dos seus discípulos, “André, irmão de Simão Pedro, lhe disse: “Há aí um rapaz que possui cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isso para tanta gente?”. Jesus disse: “Fazei-os sentar”. Havia muita relva es naquele lugar. Assentaram-se, portanto; e eram cerca de cinco mil. “Então Jesus tomou os pães, deu graças e os distribuiu aos convivas. Fez o mesmo com os peixes; deu-lhes quanto desejavam. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos seus discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, de modo que nada se perca”, Eles os recolheram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. A vista do sinal que ele acabava de operar, esses homens disseram: “Este é verdadeiramente o “Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15 Mas Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para fazê-lo “rei, retirou-se de novo, sozinho, para a montanha.


No evangelho segundo João, para a comunidade, Jesus aparece como um novo Moisés. Moisés e Jesus tem uma comunidade que passa fome, aqui no sentido do Messias que foi prometido. Próxima da festa da Pascoa, Jesus acena para a cruz. Jesus não vem substituir o primeiro testamento, mas completá-lo. O sentido é o de uma nova ALIANÇA, agora feita por Deus com Jesus e seu povo. E uma aliança definitiva, feita em comunidade, comprometida, concreta, formada no amor à Jesus e aos irmãos em uma comunidade de partilhas e amor fraterno.


Em especial, no evangelho de hoje, Jesus fala aos cristãos gentios, os que a lei judaica não permitiam serem judeus, pois os excluía. Mas a comunidade joanina os acolhe, os recebe. Jesus quer ser o PÃO DA VIDA, o pão renovado, o pão do amor. Para formar, em UNIDADE, um novo mundo, uma nova proposta, uma nova Igreja, sendo Cristo o Cabeça segundo o Espírito Santo, nos enviando como a Comunidade do Profeta Eliseu, conforme lemos em Segundo Reis, assim como, na carta aos Efésios. Sermos uma comunidade de amor e unida.


Assumirmos o PÃO DA VIDA, confirmarmos nossa fé em CRISTO. Mas exige de nós como nas primeiras comunidades cristãs um grande desafio. O compromisso com a proposta que Cristo nos traz não é fácil. Nos dias de hoje é um desafio quase impossível. O Evangelista João, nos mostra que a comunidade cristã é um compromisso com o outro, com o amor, com a misericórdia. João nos mostra que a PARTILHA e a UNIDADE é a chave do compromisso com Jesus Cristo.

Em Jesus Cristo, sejamos Igreja comunidade, de amor fraterno, de partilha e engajados pelo Espirito Santo confirmamos nossa fé na proposta de sermos o PÃO DA VIDA.

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