Torá na celebração da maturidade de Jesus

Por Frei Jacir de Freitas Faria

Os judeus celebram a festa da maturidade com cerimônia do Bar Mitswah (em português: sujeito ao mandamento). Entre os judeus liberais, a mulheres também celebram o Bat Mitswah (filha do Mandamento). Os ortodoxos não realizam o Bar Mitswah para as meninas, pois essas não têm obrigação de observar os preceitos da Torá. No tempo de Jesus essa cerimônia era realizada quando o menino completava treze anos. Com Jesus não foi diferente.

 Depois dessa cerimônia, ele se tornou um adulto e, por isso, apto a seguir a Torá. Em uma solene celebração, Jesus terá lido a Torá. Esse ato caracteriza a passagem para a maturidade. Os evangelhos conservam a memória de Jesus ainda menino e já considerado filho (sujeito ao) do mandamento, discutindo com os doutores da Lei no Templo de Jerusalém.

 A comunidade de Lucas (Lc 4, 16-22) retoma esse fato, quando ele, preste a iniciar a sua vida de evangelizador, leu na sinagoga de Nazaré e aplicou a si mesmo o texto de Is 61,1-2: “O espírito do Senhor está sobre mim para evangelizar os pobres”.

 Esses episódios na vida de Jesus são narrados no Segundo Testamento para mostra como Bíblia hebraica, chamada de TaNaK, isto é, a sua tríplice divisão em Lei-Caminho-Instrução (Torá), Profetas (Nebiîm) e Escritos (Ketubîm) se realizou plenamente na vida de Jesus[1].

 Assim, em Nazaré, como evangelizador, Jesus leu o Profeta Isaías (Nebiîm). Na cruz lembrou-se dos Escritos (Ketubim) ao recitar o Sl 31,6: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. E não por menos, o velho Simeão profetizara, no dia da circuncisão de Jesus, que ele seria sinal de contradição para muitos e que uma espada transpassaria sua alma (Lc 2,33-35).

 Jesus, tornando-se um adulto, continuou a sua vida de judeu. O Segundo Testamento registrou pouca coisa da vida adulta de Jesus, isto é, entre os 12 e 30 anos. O que ele fez? Dificilmente encontraremos resposta para essa pergunta.

 Os evangelhos apócrifos dizem que ele, com 18 anos, participou da morte e funerais de seu pai, José, um bom ancião que morrera aos 111 anos. Jesus, como filho do Mandamento, esteve sujeito aos ensinamentos da Torá.

______________________________________

[1] O substantivo Torá também pode significar não somente o Pentateuco, mas os Escritos e os Profetas.

Fonte: bibliaeapocrifos.com.br

Frei Jacir é Doutor em Teologia Bíblica pela FAJE-BH. Mestre em Ciências Bíblicas (Exegese) pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Professor de exegese bíblica. Membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de dez livros e coautor de quinze. Último livro: O Medo do Inferno e a arte de bem morrer: da devoção apócrifa à Dormição de Maria às irmandades de Nossa Senhora da Boa Morte (Vozes, 2019).

PRESENÇA DE FREI JACIR NAS MÍDIAS SOCIAIS

Canal Frei Jacir Bíblia e Apócrifos:
Oferece aulas e lives sobre Bíblia e Apócrifos
https://www.youtube.com/channel/UCwbSE97jnR6jQwHRigX1KlQ

Página Bíblia e Apócrifos:
http://www.bibliaeapocrifos.com.br/

Reflexões Bíblicas no Canal Grupo de Reflexões Bíblicas São Jerônimo:
https://www.youtube.com/channel/UCkVLcYNOuzQL_HL1g8e3_lg

Instagram:
https://www.instagram.com/freijacir/

Facebook:
https://www.facebook.com/freijacir.freitasfaria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s