Sínodo e Sinodalidade

Sínodo e Sinodalidade

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Por Pe. Geraldo Maia

A palavra “sínodo” é de origem grega e significa “fazer um caminho juntos”. Desde sua antiguidade, a Igreja realiza sínodos regionais para esclarecer dúvidas surgidas e buscar uma via de consenso sobre a fé e a vida cristã em geral. O Papa Paulo VI, em setembro de 1965, instituiu o Sínodo dos Bispos como um organismo ordinário a ser realizado a cada quatro anos, tendo por objetivo tratar temas específicos. Foi a maneira encontrada para manter viva a experiência colegial do Concílio. Na história recente, foram realizados, segundo a modalidade instituída pelo Papa Paulo VI, 15 sínodos ordinários, 3 extraordinários e 11 especiais, totalizando 29 assembleias sinodais.

Em outubro de 2015, ao comemorar 50 anos da instituição do Sínodo dos Bispos, o Papa Francisco expressou o desejo de fazer um caminho comum de leigos, pastores e do Bispo de Roma, através do fortalecimento da assembleia dos bispos, com uma descentralização salutar desse organismo. Esse percurso levará ao sentido de “unidade na pluralidade”. Três anos depois, em setembro de 2018, Francisco lançou novo documento, a Constituição Episcopalis Communio (Comunhão Episcopal), para orientar os trabalhos do Sínodo dos Bispos, instituição que ele considera “uma das heranças mais preciosas do Concílio Vaticano II”. Neste momento importante em que a Igreja assume nova etapa evangelizadora, através de um estado permanente de missão, o Sínodo dos Bispos é chamado a se tornar sempre mais um canal adequado para a evangelização do mundo atual.

O próximo sínodo terá como tema “Igreja Sinodal: participação, comunhão e missão” e seguirá um percurso diferenciado, com novo processo metodológico bem mais participativo. Este Sínodo não ficará concentrado no Vaticano, mas será celebrado em cada Igreja Particular e nos cinco continentes, seguindo um itinerário trienal, articulado em três fases: escuta, discernimento e consulta. O diferencial é que todo o Povo de Deus é chamado a participar desse itinerário. Segundo o subsecretário do Sínodo dos Bispos, Luis Marin de San Martin, a sinodalidade, o caminhar juntos, é o desafio e a esperança da Igreja neste terceiro milênio: “É um modo de ser Igreja e uma profecia para o mundo de hoje”. A também subsecretária, Irmã Nathalie Becquart, destacou: “uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta”.

O percurso deste sínodo será inaugurado pelo Papa Francisco nos dias 9 e 10 de outubro próximo, no Vaticano. A seguir, acontecem três fases: diocesana, continental e universal, visando tornar possível uma verdadeira escuta do Povo de Deus. As Dioceses, instituições internacionais, Universidades e Faculdades de Teologia começarão o percurso no dia 17 de outubro que terá como objetivo principal a consulta do Povo de Deus para que o processo sinodal se realize na escuta da totalidade dos batizados. Para orientar esse trabalho em fase diocesana, a Secretaria do Sínodo enviará um texto preparatório acompanhado de um questionário e propostas para a realização da consulta. Essa fase diocesana culminará com uma “Reunião pré-sinodal”, no final da consulta. As contribuições serão enviadas à Conferência Episcopal (CNBB), em data determinada.

Importante será o discernimento dos pastores. Os bispos, reunidos em assembleia, vão abrir um período de discernimento para escutar o que o Espírito suscitou nas Igrejas Particulares e fazer uma síntese das contribuições recebidas. O fruto dessas reflexões será enviado à Secretaria do Sínodo, que vai elaborar o primeiro instrumento de trabalho até o mês de setembro de 2022. Esse instrumento será remetido às Dioceses. Daí terá início a segunda fase, que é a continental, marcada pelo diálogo e discernimento. O objetivo será dialogar, em nível continental, sobre o instrumento de trabalho e buscar um discernimento à luz das particularidades culturais de cada continente. As assembleias continentais vão compor um documento final a ser encaminhado até março de 2023 para a Secretaria do Sínodo.

Por fim, acontecerá a terceira fase, em outubro de 2023, no Vaticano, de acordo com os procedimentos estabelecidos pelo Papa Francisco, na Constituição Episcopalis Communio (Comunhão Episcopal). Esse longo percurso quer configurar uma metodologia de colegialidade dentro do exercício da sinodalidade. Segundo Marco Politi, especialista em Vaticano, no próximo Sínodo se vai falar da missão da Igreja no século XXI, da participação do Povo de Deus, da sinodalidade, ou seja, de tudo, quase um concílio; por isso, será decisivo para a Igreja.

O teólogo brasileiro, Padre Agenor Brighenti, foi nomeado recentemente membro da Comissão Teológica do Sínodo. Tendo já participado do Sínodo para a Região Pan-amazônica, na qualidade de perito, ele conhece os procedimentos metodológicos que já foram ensaiados ali para o próximo Sínodo. Segundo ele, “estamos num processo de recepção do Concílio Vaticano II, que é um processo de renovação da Igreja em grandes proporções, E um dos aspectos em que se teve grande dificuldade de avançar foi justamente no exercício da sinodalidade”. A experiência latino-americana de recepção do Concílio, através das Conferências Gerais do episcopado e, agora, da Assembleia Sinodal, é um estímulo para o aperfeiçoamento do caráter de sinodalidade da Igreja.

Fonte: Arquidiocese de Uberaba

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