Êxodo 13,17–18,27: A Caminhada de um Povo e seu Deus, Yahweh

Por Hermes A. Fernandes

Em dois textos anteriores, tratamos de uma introdução ao Livro do Êxodo (Clique aqui: Êxodo: uma introdução); em seguida, a respeito da opressão egípcia sobre os hebreus, a vocação de Moisés, as pragas e a Páscoa (Clique aqui: Êxodo: a opressão, o chamado de Moisés, as pragas e a Páscoa).

Neste presente trabalho, faremos uma breve reflexão sobre a caminhada do Povo Hebreu pelo deserto, suas dificuldades e a presença de Yahweh como Deus da Aliança. Sigamos com nossa aventura pelo Livro do Êxodo.

No bloco de Ex 13,17–18,27, temos o relato da caminhada pelo deserto e das dificuldades encontradas. Em primeiro lugar, o medo diante da perseguição do Faraó e o sinal da presença de Yahweh ao fazer o mar se abrir. E aqui temos o canto mais antigo da Bíblia, entoado por Miriam, irmã de Moisés e Aarão, ao som de tamborins e danças com todas as mulheres: “Cantai a Yahweh, pois de glória se vestiu; ele jogou ao mar cavalo e cavaleiro” (Ex 15,21). Depois, a sede e a falta de água, e o sinal da água que brota da Rocha – Massa e Meriba (Ex 17,1-7). Na sequência, o ataque de Amalec (17,8-16).

O capítulo, que narra o reencontro do sogro de Moisés, juntamente com a esposa e os filhos, é um profundo ensinamento de como o poder deve ser exercido pelas lideranças: sempre de forma partilhada.

Se retomarmos Ex 12,37, veremos a menção à fuga de 600 mil pessoas. Os números na Bíblia são mais simbólicos, essa quantidade quer mostrar que a ação de Deus foi significativa. O número também se aproxima do total de pessoas na época do reino unido de Israel, sob reinado de Salomão. O que significaria dizer, à época em que a história foi contada: ”todos nós saímos do Egito, por isso não queremos mais nenhuma opressão sobre nós, muito menos a de Salomão!”

Em Ex 14,15-31 temos três versões do mesmo fato, leia com atenção e procure identificar. Esse texto apresenta diversas releituras “é como um tecido com fios de três cores”, porém, uma é dominante. Uma primeira versão é a da fuga e possivelmente remonta à época dos fatos, em torno de 1.200 a.C. Durante muito tempo esses acontecimentos foram celebrados e transmitidos oralmente. A fuga aqui é facilitada por um vento que fez as águas recuarem, uma “maré baixa” (cf. Ex 14,21a.b.26-27). Somente com Salomão, por volta de 950 a.C. é que se escreveria algo pela primeira vez e, no conjunto do texto, essa cor fica menos evidente.

A segunda versão é a releitura feita por volta do ano 850 a.C., época da dinastia do rei Amri ou Omri (1Rs 16,21-28). Deus, de cima das nuvens, atolou na areia as rodas dos carros do exército faraônico, ajudando na fuga do povo (cf. vv. 24s). Essa segunda cor fica em menor evidência também.

Já a terceira versão, fruto da época do exílio na Babilônia, em torno de 550 a.C., é a mais espetacular, as águas do mar se abrem e formam um corredor de passagem da escravidão para a liberdade (cf. vv.21c-22s.28ss). Os redatores finais do livro tecem o texto final com as três versões (GASS, 2005).

Ainda teremos muito a dizer sobre o segundo livro do Pentateuco. Em uma publicação ulterior, trataremos das novas bases de uma sociedade, a Aliança. Vamos embarcar nesta aventura sobre o Livro do Êxodo? Até a próxima!

BIBLIOGRAFIA:

BARTHÉLEMY & MILIK (org). Le Pentateuque. Paris: Editions du Cerf, 1998.

BARRETO, Hermes. Os nomes de Deus. Geração Masters Editora, 2009.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova Edição revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2013.

BOURBON, Fábio. Egito, Ontem e Hoje – Litografias de David Roberts. Folio Editora, 2000.

CARR, D. M. “Torah on the Heart: Literary Jewish Textuality Within Its Ancient Near Eastern Context”. Religious Studious Reviw 23, 1997, p. 22-31.

CIC. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Ed. Loyola. 1999.

FEINER, Johannes & LOEHRER, Magnus. Mysterium Salutis – Compêndio de Dogmática Histórico-Salvífica II/3. Petrópolis: Vozes, 1974.

GASS, Ildo Bohn (Org.). Formação do Povo de Israel. 7 ed. São Leopoldo: CEBI; São Paulo: Paulus, 2005. [Coleção Uma Introdução à Bíblia, Volume 2]

HAHN, Scott & MITCH, Curtis. O livro do Gênesis: Caderno de estudo Bíblico. Campinas: Ecclesiae, 2015.

KIBUUKA, B. A Torá Comentada. São Paulo: Fonte Editorial, 2020.

MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1984.

SCHÖKEL, Luís Afonso. Dicionário Bíblico Hebraico-Português. São Paulo: Paulus, 2008.

SCHÖKEL, Luís Afonso (org). Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 1997.

TEB: Tradução Ecumênica BíblicaNova Edição Revista e Atualizada. São Paulo: Edições Loyola, 2020.

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