A Torá no batismo de Jesus

Por Frei Jacir de Freitas Faria,OFM

Jesus, nascido de uma mulher e vindo de Nazaré, sabe como bom judeu, que ele passa pelo tempo cronológico (dias, meses, anos), mas o seu objetivo é voltar ao tempo cósmico (eterno e infinito), ao tempo de Deus. A comunidade joanina, pensando nisso, começou o seu escrito afirmando: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus” (Jo 1,1).

“E a Palavra se fez ser humano e habitou entre nós” (Jo 1, 14). É como se a comunidade de João quisesse dizer: ela (Palavra-Deus) se fez humano para nos tirar da situação de humanidade e nos devolver ao estado de graça, ao tempo divino e eterno.

 Assim, o Eterno se fez terna Torá (Caminho, Conduta, Pentateuco) para nos devolver ao Eterno. Durante a vida terrena, cada um é chamado a cumprir a obrigações da Torá. Somente com a morte estamos livres dela. O tempo de cada um é marcado pelo nascimento e pela morte. E entre esses dois pontos está a encarnação. E Jesus se encarnou no meio de nós para nos evangelizar.

 Ele pregou a Boa Nova do Reino de Deus. Evangelização e encarnação caminham juntas. Por isso, não bastavam às comunidades dos evangelhos demonstrar que Jesus fora judeu plenamente. Era preciso demonstrar que a Torá caminhava com ele, que ele era a Torá.

 Nesse sentido, é que podemos entender memória, conservada por todos os evangelhos canônicos do batismo de Jesus. Em todos os textos encontramos: “O Espírito Santo desceu sobre ele em forma de pomba” (Mc 1,9-11: Mt 3, 13-17; Lc 3, 22 e Jo 1, 32-34). O que isso quer dizer?

 A pomba, em hebraico Yoná, também Jonas em português, é uma ave frágil, de notória candura e fiel ao seu companheiro. Por isso, os judeus fizeram dela o símbolo da paz e do povo de Israel. Israel quer a paz, mas vive sempre, por causa da sua fragilidade, perseguido pelas nações do mundo. Hoje, não sei poderíamos dizer o mesmo de Israel.

 Basta ver a sua atitude em relação aos Palestinos. A pomba só pode se defender com as suas duas asas. Assim também Israel só pode defender-se com a Torá, dada ao povo em duas tábuas. A pomba passou também a ser imagem da Presença divina. No batismo de Jesus, a Torá-Pomba desce sobre Jesus e o confere a dignidade de Torá-Personificada. Torá confirma Torá.

 Os cristãos compreenderam no batismo de Jesus que Deus mesmo se lhes oferecia em Jesus, em forma de Torá. A presença simbólica de uma pomba no batismo de Jesus quer ser a sua confirmação como israelita, judeu e membro do povo de Deus, que se faz presente como sinal de esperança e força na fragilidade e candura de uma Yoná.

Fonte: www.bibliaeapocrifos.com.br

Frei Jacir é Doutor em Teologia Bíblica pela FAJE-BH. Mestre em Ciências Bíblicas (Exegese) pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Professor de exegese bíblica. Membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de dez livros e coautor de quatorze. Último livro: O Medo do Inferno e a arte de bem morrer: da devoção apócrifa à Dormição de Maria às irmandades de Nossa Senhora da Boa Morte (Vozes, 2019).

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