Leigos: ministérios a serviço do Reino de Deus

“Sal da Terra e Luz do Mundo”
(Mt 5,13-14)

*

Por| Karina Moreti

Para o dicionário, leigo significa: aquele que é estranho a ou que revela ignorância ou pouca familiaridade com determinado assunto, profissão etc… desconhecedor, inexperiente. Porém, esta palavra é muito conhecida também do meio religioso. Mas o leigo da Igreja é aquele que não sabe nada?

Na verdade, os leigos da Igreja são todos os fiéis batizados que não receberam as ordens sacras, ou seja, não são diáconos, padres ou bispos. Constituem o povo de Deus e feitos participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo.

O que é próprio e específico dos leigos não são as funções sagradas, mas as temporais. Estas funções, no entanto, não devem ser exercidas de qualquer maneira. Elas devem ser ordenadas e conduzidas segundo os mandamentos de Deus. As funções seculares dos fiéis leigos são os meios próprios deles para buscar o Reino de Deus.

Sendo assim, o campo de atuação principal dos fiéis leigos é a família, o trabalho, a cultura, o mundo da economia, a comunicação, a ciência e a tecnologia, a educação, os grandes problemas da vida, da saúde, da solidariedade, as relações internacionais, a construção da paz, a ética profissional, a justiça e o direito, a liberdade religiosa.

São tantos trabalhos, funções e obrigações, que o apostolado dos leigos não se identifica com os ofícios de suplência que extraordinariamente eles podem exercer na Igreja, mas se abre à enorme e importante necessidade de impregnar tais realidades com as riquezas do Reino e do Evangelho.

Sua presença e sua ação evangelizadora nas realidades seculares são cada vez mais necessárias, uma vez que sem o apostolado dos leigos o apostolado dos Pastores não se pode, na maioria das vezes, obter seu pleno efeito.

O ofício sacerdotal dos fiéis leigos consiste na ação de consagrar a realidade profana e mundana à Deus, através da atuação e da presença no mundo. Os fiéis cristãos exercem sua função sacerdotal, principalmente, santificando a vida conjugal e familiar, o trabalho cotidiano e o descanso. A participação dos fiéis leigos no ofício profético de Cristo consiste em dar testemunho de fé com a vida e as ações. O testemunho dá credibilidade ao anúncio explícito.

“A Boa Nova há de ser proclamada pelo testemunho. […] Por força deste testemunho sem palavras, estes cristãos fazem aflorar no coração daqueles que os veem, perguntas: Por que é que eles são assim? Por que é que eles vivem daquela maneira? O que é, ou quem é, que os inspira? Por que é que eles estão conosco? Pois bem: semelhante testemunho constitui já proclamação silenciosa, mas muito valiosa e eficaz da Boa Nova. E outras perguntas surgirão, depois, mais profundas e capazes de levar a um compromisso, provocadas pelo testemunho, que comporta presença, participação e solidariedade e que é um elemento essencial na evangelização. Todos os cristãos são chamados a dar este testemunho e podem ser verdadeiros evangelizadores.” (EVANGELII NUNTIANDI, 21).

Outrossim, ofício profético consiste também no anúncio explícito da Palavra. O anúncio dá o senso cristão do testemunho.

“Entretanto (o testemunho) permanecerá insuficiente, pois ainda o mais belo testemunho virá a demonstrar-se impotente com o andar do tempo, se ele não vier a ser esclarecido, justificado, aquilo que São Pedro chamava dar “a razão da própria esperança”, explicitado por um anúncio claro e sem ambiguidade do Senhor Jesus. Por conseguinte, a Boa Nova proclamada pelo testemunho da vida deverá, mais tarde ou mais cedo, ser proclamada pela palavra da vida.” (EVANGELII NUNTIANDI, 22).

Os fiéis leigos participam enfim da função real de Cristo vivendo o dom da “liberdade régia”. Como você pode notar para “exercer a realeza” é preciso “possuir a liberdade própria do rei”. Ora, a liberdade régia não é o sinônimo da conduta dissoluta e imoral.

A partir do dom da liberdade régia, o Catecismo aponta ainda para linhas de ação e de presença bem concretas para os fiéis leigos. A presença e a ação deles no mundo tem a finalidade de purificar as instituições e as condições do mundo do que estimula, encoraja e favorece o pecado. Tem também a finalidade de impregnar a cultura e as obras humanas com os valores do Reino.

Sendo Cristo enviado pelo Pai, a fonte e a origem de todo apostolado da Igreja, é evidente que a fecundidade do apostolado, tanto o dos ministros ordenados como o dos leigos, depende de sua união vital com Cristo. De acordo com as vocações, os apelos da época e os dons variados do Espírito Santo, o apostolado assume as formas mais diversas. Sobremaneira, é sempre a caridade, a vivência do mistério da Eucaristia, a ação profética e missionária que fundamenta todo apostolado.

Foto: alunos do Curso de Teologia para Leigos, Região Pastoral Pirajuí, Diocese de Lins, SP.

Texto: otrovadordedeus.wordpress.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s