“E houve uma grande Calmaria” (Mc 4,39)

Por Seny Felix da Silva

PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos (Mc 4,35-41)

Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!”

Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava, na barca. Havia ainda outras barcas com ele.

Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”

Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”

Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?

***

Imaginemos o cenário, já é tarde, Jesus cansado dá ordem aos discípulos para irem à outra margem do Mar da Galileia. Esses discípulos eram pescadores, ou seja, tinham experiência no assunto. Não há em nenhuma parte da narrativa que qualquer um deles tenha reclamado de algum perigo ou tempestade chegando.

A ordem era simples para os pescadores: passar com o barco à outra margem. Jesus, revelando sua humanidade, dormiu.

Mas o Evangelho nos narra ventos fortes e ondas que estavam fazendo o barco encher. Narra, também, que havia outros barcos com eles. É de se esperar que estivessem na mesma situação, no mar, em meio à tempestade.

O arqueólogo J. Gonzalez Echegaray explica porque, apesar de ser um lago, ocorrem tempestades no mar da Galileia:

 “O fato [acontece devido] o lago estar em um ambiente montanhoso, especialmente no norte, onde o Hermon, com suas montanhas cobertas de neve 2.750 m é visível da água em dias claros e, acima de tudo, a profunda depressão da superfície deste lago, a mais de 200 metros abaixo do mar Mediterrâneo não muito distante, frequentemente cria instabilidade no clima, que normalmente é quente e calmo, o que resulta na presença inesperada de um vento forte, que ondula as ondas, que às vezes podem exceder até 2 m de altura”

Fenômenos desse tipo certamente eram conhecidos dos pescadores, mas eles sentiram medo. Resolveram acordar o mestre e o interpelam: não importa que pereçamos? Ao acordá-lo, dá a impressão que sabiam que Jesus poderia fazer algo, Jesus dá apenas duas ordens: Cala-te e aquiete-se. E se fez bonança.

O cenário muda, Jesus uma vez acordado, revela sua Divindade e ordena que tudo se acalme. Os discípulos passam a perguntar: quem é esse Homem que até as ondas do mar o obedecem?

Jesus reclama do medo dos seus discípulos e alerta sobre a falta de fé.

Quantas vezes estamos obedecendo um pedido do Mestre e, ainda assim, tempestades vem nos abater? As tempestades da vida, um infortúnio qualquer, um pecado não vencido, uma doença, algo que nos coloca em situação de medo, onde tudo parece estar fora de nosso controle. Sentimos que estamos prestes a sucumbir e esquecemos que, no barco de nossa vida, Jesus está bem ali, ao alcance das mãos, pronto para ouvir nossa súplica. Mas é preciso ter a atitude dos discípulos: acordar Jesus. Quantas vezes lembramos de “acordar” Jesus no barco de nossa vida, ainda que assaltados pelas dúvidas e pelo medo? Junto com nossa humanidade, grita o medo e a falta de fé. Resta-nos o convite final. Reconhecer, como Nosso Senhor, Aquele a quem até o vento e o mar obedecem: Jesus Cristo.

1 comentário Adicione o seu

  1. Rosangela disse:

    Com certeza bem discernido

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