Pandemia, Vírus, Morte, Aprendizado!

Por Pe. Éderson Queiroz
Arquidiocese de Uberaba

O que parecia ser um novo vírus, localizado no interior da China, não demorou muito tempo, para ser uma realidade mundial. Novas palavras se juntaram ao nosso vocabulário diário: isolamento social, distanciamento, quarentena, máscara, álcool em gel, comorbidades, Lockdown, e outras.


Personalidades do mundo científico, até então desconhecidas pelo grande público, tornaram-se, quase que, familiares nossos, no afã de oferecer-nos informações, que não encontramos por parte do Ministério da Saúde, que tornou-se duvidoso.


Assim que, a Organização Mundial de Saúde – OMS – declarou que o mundo estava em pandemia, assistimos angustiados, a politização da pandemia. Importantes autoridades da República, brincando e fazendo piadinhas, faltando não só com a verdade, como também com o respeito aos que perderam a vida. Um jogo macabro foi se dando no trato de uma questão de vida ou morte. A Nação ficou refém das artimanhas de grupos políticos negacionistas.


Medidas sanitárias foram sendo sugeridas, outras vezes impostas, para conter a proliferação do vírus.


Igrejas foram fechadas e celebrações, festas religiosas, encontros de pastorais, reuniões de grupos foram suspensas.
As escolas passaram de aulas presenciais à aulas remotas. Tudo teve que ser adaptado às pressas.


Vemos florescer a estima aos profissionais da saúde. Muitos deles chegaram à beira da exaustão, tentando salvar vidas.
Agentes funerários e coveiros, foram automaticamente autorizados a enterrar os corpos de pessoas queridas, sem a presença de familiares e amigos.


O que parecia ser controlado em uma quinzena foi se estendendo, e de repente, não conseguimos vislumbrar quando o mundo estará livre da pandemia.


Rapidamente, o que parecia ser notícias dos telejornais e jornais, começou a chegar perto de nós. Pessoas conhecidas, amigos, familiares, foram se infectando e os óbitos começaram a surgir e subir… Uma subida que não parece ter fim. Entre as milhares de vítimas, encontramos cardeais, bispos, padres, religiosos e religiosas, que vão engrossando a triste estatística, todos os dias anunciada. Não são números, são vidas, pessoas queridas.


A COVID chegou também na vida dos padres. Somente na Arquidiocese de Uberaba, quatro padres, de 45, 57,58,45 anos, perderam a vida em 48 dias.


Muitos bispos, padres religiosos e religiosas que morreram de COVID, estavam em pleno exercício do ministério presbiteral, como párocos, vigários paroquiais, formadores de seminários, professores, capelães, assessores de movimentos e pastorais. Deixaram uma lacuna enorme no coração da Igreja e dos fiéis, lacuna incapaz de ser preenchida.


Não é fácil formar um padre. Entre os primeiros contatos de um vocacionado, o ingresso em um seminário, à ordenação sacerdotal, são aproximadamente 10 anos de caminhada formativa.


Inúmeras pessoas são envolvidas neste processo de formação. Sem dizer dos recursos financeiros que sustentam a formação de um candidato ao sacerdócio e a Vida Religiosa Consagrada.


O padre não é apenas um celebrante de ritos religiosos, ou aquele que atende a demanda do sagrado, de um povo. O padre é um pouco de tudo, além do ser padre. É um animador comunitário, formador de opinião, formador de consciência, terapeuta, conselheiro, confidente, amigo, cidadão, pessoa humana.


Como todas as demais vítimas do COVID, também estes cardeais, bispos, padres e Consagrados, morreram isolados numa UTI, não tiveram um velório, uma despedida dos familiares, irmãos no sacerdócio, confrades e co-irmãs, amigos e paroquianos. Suas vidas são contadas, como das outras vítimas da COVID, pelas mídias sociais. Em muitos lugares, a Missa de corpo presente foi celebrada sem o corpo presente.


Tudo tão triste e sombrio.


Nos resta a gratidão, em forma de oração, por estes homens e mulheres que deram a vida pelo Evangelho.


E como compromisso cristão, devemos participar do “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, proposto por uma série de Entidades, entre elas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB. Este pacto está sendo dinamizado pelas Dioceses.


Ao mesmo tempo, não podemos entrar nessa onda negacionista, negação da pandemia, negação da ciência, negação da vacina.


Vacinar é uma responsabilidade com a própria vida, dom de Deus e corresponsabilidade com o dom da vida do próximo. Compromissos diante dos quais não podemos nos furtar.


Sabemos que outras, como esta pandemia, é um desarranjo na forma como vivemos em relação ao meio ambiente. Estamos dispostos a uma mudança no estilo de vida?


Estudos apontam que a pandemia fez bem aos que possuem grandes fortunas. É verdade também, que cresceu absurdamente o número de pessoas empobrecidas, a miséria, a fome, o abandono voltaram à cena nacional.


Que Deus, o Senhor da Vida, nos livre da indiferença.



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