Lembrando o Martírio de Irmã Cleusa Carolina Rody Coelho

Uma vida dedicada à causa indígena, aos mais pobres e aos excluídos pode fazer de uma cachoeirense a primeira santa capixaba. Morta de forma cruel por seu trabalho de ajuda ao próximo, a Irmã Cleusa Carolina Rody Coelho protagonizou uma trajetória marcada pela entrega ao ser humano. E até hoje seu nome é reverenciado pelos índios da região de Lábrea, no Amazonas, onde foi assassinada em 1985, às margens do Rio Paciá.

Suas ações também abrangiam o amparo aos portadores de hanseníase, à época chamada de leprosos.

Cleusa nasceu em 1933, no dia 12 de novembro. Viveu os primeiros anos no bairro Baiminas com seus seis irmãos. Sua inteligência acima da média era notória no curso de Magistério no Liceu Muniz Freire, onde foi premiada com a medalha de ouro por ter sido a melhor estudante daquele colégio.


Mesmo podendo optar pela carreira na sala de aula, decidiu abraçar a vida religiosa, em 1953, quando fez seus primeiros votos, na comunidade de Ilha das Flores, Rio de Janeiro. Um ano depois, aos 21, foi designada para a reabertura da Casa da Missão Lábrea, onde foi fundado o Educandário Santa Rita.

Em 1956, foi transferida para Colatina (ES), onde fez os votos perpétuos. Em 1979, veio sua última transferência, e seu destino era Lábrea. Voltava para assumir a direção do educandário.

O engajamento com a causa indígena se tornou mais forte em 1982. Foi a época em que a Prelazia de Lábrea resolveu se assumir como Pastoral Indigenista. A partir daí, a irmã foi representante desse grupo no Conselho Missionário Indígena (CIMI) do Regional Norte I.

Irmã Cleusa
Indígenas em depoimento emocionante no documentário sobre Irmã Cleusa
Missionária agostiniana recoleta, Luzelena Ana Zandonadi admirava o modo de atuação da colega. “À margem dos igarapés do Amazonas, ela se sentava e fazia sua evangelização, com encenação para crianças a e adultos”, contou ela em depoimento no documentário “Irmã Cleuza – Mártir da Causa Indígena”.

Morte brutal
Numa região de conflito entre proprietários de terra e entre as próprias tribos indígenas, Cleusa encontrou a morte quando justamente tentava apaziguar os ânimos após um duplo assassinato, de mãe e filho. Sua execução às margens do Rio Paciá , em dia 28 de abril de 1985, ainda comove a comunidade de Lábrea, sobretudo os indígenas e hansenianos.

“Era uma região que despertava um interesse enorme dos chamados coronéis. Tinha um potencial grande de castanha, o interesse de pessoas não índias”, afirmou o técnico da Funai Isac da Silva Albuquerque.

Irmã Cleusa
Em casa de moradora, foto com Irmã Cleusa fica ao lado de quadro com desenho de santo
O laudo médico denunciou a brutalidade que vitimou a religiosa: costelas quebradas, crânio fraturado, braço direito parcialmente separado do corpo, fratura na coluna vertebral e fragmentos de chumbo no tórax. A mão direita não foi localizada.

O corpo foi submetido a exumação em 1991. Seus ossos encontram-se na capela de Nossa Senhora de Fátima, em Lábrea. Os ossos de seu braço direito, cortado no crime, estão na Catedral de Vitória.

Passados 34 anos desde o martírio, a Igreja Católica aguarda a canonização de Irmã Cleusa. O processo de beatificação teve início em 2 de junho de 1991, na Catedral Metropolitana de Vitória, e tramita na Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano, em Roma.

Homenagem

Em 25 de outubro próximo, durante o Sínodo para Amazônia, que está sendo realizado em Roma, acontecerá um dia dedicado à Irmã Cleusa. Nessa data, na Tenda da Casa Comum, haverá a memória celebrativa e a exibição do documentário sobre sua vida, da produtora Católica Verbo Filmes.

A representante da Fraternidade Missionária Agostiniana Recoleta, Paula Albani, e o marido, Antônio Romildo Albani, estarão em Roma e levarão fotos e documentos sobre a religiosa.

“Será um dia de homenagem e também estará conosco a irmã Delza Bassini, representante da Congregação na Espanha, que também levará documentos para serem expostos no dia”, contou.

Mártir
O processo de beatificação da Irmã Cleusa foi iniciado no dia 2 de junho de 1991, na Catedral Metropolitana de Vitória. No processo influencia o clamor popular, que a reconhece como “mártir da causa indígena”. Há também as manifestações de júbilo, pedidos de favores e estampas, marchas e caminhadas em cada aniversário de sua morte, em especial em Vitória, Lábrea e outros lugares.

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