Eu tenho um amigo gay

Por | Karina Moreti

Conheci, conheço pessoas. A vida é constituída de encontros. Afetos e desafetos. Motivos, vários. Empatia e antipatia são coisas que não se explicam. Sente-se.

Recentemente, vejo discursos inflados e inflamados sobre a dialética inclusão das comunidades LGBTQI+ e a homofobia. Acolher ou excluir? Agraciar ou condenar? Difícil tomar partido. Eu tenho um amigo gay.

Oscar Wilde, escritor do consagrado O Retrato de Dorian Grey, entre outras obras primas da literatura inglesa – em um certo momento da vida – confessou ser homossexual. Curiosidade que soube bem depois de ler livros dele. Tarde demais! Já tinha amado a obra de Wilde. Como aspirante à bibliófila, tinha que ler mais. Passei por estes olhos cansados toda literatura de Oscar Wilde.

Quando adolescente, escolhi qual música tocava à alma. O Rock nacional estava na melhor fase. Escolhi Legião Urbana, Barão Vermelho, Capital Inicial; como minhas preferências musicais. Renato Russo confessou gostar de meninos e meninas. Como deixar de ouvir o que me tocava a alma por preconceito? Ah, não foi possível. Renato Russo compôs a trilha sonora de minha juventude. Embala ainda hoje. E Fred Mercury? Aquela voz linda! Ah, ele também confessou-se homossexual. Era tarde. Já havia me emocionado com We Are The Champions.

Literatura, música, política, filosofia, tudo; simplesmente tudo, teve participação de homossexuais. A história é construída por seres humanos. Consequentemente, eles fizeram parte. Por vezes, de forma brilhante.

Hoje, já com o século XXI em adiantado caminhar, muitos insistem em condenar. Não me oponho à religião quando se pronuncia a respeito. Só não posso preterir. Denegrir, amaldiçoar aqueles que me deslumbraram com música, filosofia, política, literatura. Estas mentes brilhantes, estes corações transcendentes, estas vidas cheias de arte, não podem estar em trevas. A arte é expressão de luz.

Eu tenho um amigo gay. Sobre os homossexuais e Deus, deixo que eles se entendam. Devo acolher e amar aqueles que me comunicam beleza e vida. Não me sinto no direito de agir como juiz. Deus não me revestiu de tal múnus, ou impôs-me tal ônus. Outrossim, ordena-me ao amor. Este é um incontestável imperativo. Amar e amar sempre. A todos, inclusive, aos homossexuais. Sem eles, nosso mundo seria mais pobre e triste.

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