A pandemia do COVID-19 como grupo social

Por | Edilson de Carvalho

Podemos olhar a pandemia como um grupo social.

No dia 30 de janeiro de 2020 a OMS já havia declarado que o surto do novo corona vírus constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Em março a OMS declara pandemia o COVID-19. De janeiro para hoje, houve diversas reações, alertas, indicações de combate a este vírus, altamente letal, e que dilacerou e ainda irá dilacerar famílias inteiras.

Com um olhar específico para o Brasil, um país cheio de diversidades e gigante pela própria natureza, ocorreu polarizações políticas, religiosas e sociais. 

Ao problematizarmos a pandemia no Brasil, nos deparamos com um contexto social já existente, diferente mais existente. Percebemos que a falta de empatia, polarizações enfrentadas pela pandemia, é reflexo naturalizado ao compararmos com outras questões de desigualdades, exclusões, minorias e marginalizações sociais existentes em nosso país.

A população de rua no Brasil é estimada em 221.869, março/2020, com poucas políticas públicas, autoridades eclesiais com mínima atenção e a sociedade civil, muitas vezes, trata com violência, descaso ou meramente, como um elemento da paisagem no meio de seu convívio. 

Podemos levantar dados, sobre as populações LGBTQI+, indígenas, racismo, racismo estrutural, prostitutas, religiões, feminicídios, portadores de deficiência ou necessidades especiais, entre tantos outros que estão em vulnerabilidade social e não encontram amparo no estado e quando há são, mínimas ações.

No ano de 2018, foi registrado pelo IBGE que 57,6% dos domicílios possuem rendimentos inferiores ao salário-mínimo vigente.

No ano de 2018, atingimos 13,5 milhões de brasileiros que viviam com renda per capita de até R$ 145,00, ou seja, em extrema pobreza, conforme definido pelo IBGE que é de US$ 1,90 por dia. 

Segundo o IBGE, é considerado em situação de extrema pobreza quem possui menos de US$ 1,90 por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 145 por mês.

A cada 4 de 10 famílias no Brasil não tem acesso adequado ou suficiente à alimentação digna. Chegando a mais de 15 mortes por dia de fome.

Estes dados apresentados são para mostrar que nosso país é insensível aos vulneráveis, miseráveis, ou em algum tipo de fragilidade social, independentemente de sua vulnerabilidade. O fato é que nos desnuda e nos obriga a olhar o que não queremos: o sofrimento e a morte.

Podemos afirmar que a pandemia, no Brasil é um grupo social em vulnerabilidade, sem políticas públicas claras e definidas, pouco investimento e altamente polarizada pelos políticos, religiosos e sociedade civil. Este grupo é constituído por todas as classes, gênero, raça, credo, renda, clube de futebol, enfim, a COVID-19 não faz distinção de nossas fragilidades. Apenas mostrou que somos  um pais polarizado, insensível à dor do outro, sem empatia, e muito menos, somos capazes de sentir compaixão pelo sofrimento alheiro. Ao contrário, somos capazes de atacar, violentar os direitos destes grupos minoritários que reivindicam melhores condições. 

Edilson de Carvalho
Sociólogo 

Referencias:

Dados sobre a extrema pobreza,

Dados rendimentos domiciliares

Dados sobre a população de rua

OMS declara pandemia do novo COVID-19 

https://www.unasus.gov.br/noticia/organizacao-mundial-de-saude-declara-pandemia-de-coronavirus

OMS declara surto do novo COVID-19 

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