Os que falam contra a CNBB, atentam contra o próprio Cristo

Por Hermes Abreu

Já se faz cansativa a insistência de certos grupos em denegrir a imagem da CNBB. Alcunhas como comunistas, hereges – entre tantos outros despautérios – estão nas redes sociais para quem as quiser ver. O que motiva grupos que se denominam católicos agir assim? Não ouso designar motivos. Difícil explicar o inconcebível. Fato é que tudo o que se pensa ser bom e agradável aos olhos de Jesus, no referente ao compromisso com a pessoa humana, faz-se passivo de interpretação contrária. Depreciando, manipulando, caluniando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

A CNBB, o que seria? Deixemos que ela fale por si:

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a instituição permanente que congrega os Bispos da Igreja católica no País, na qual, a exemplo dos Apóstolos, conjuntamente e nos limites do direito, eles exercem algumas funções pastorais em favor de seus fiéis e procuram dinamizar a própria missão evangelizadora, para melhor promover a vida eclesial, responder mais eficazmente aos desafios contemporâneos, por formas de apostolado adequadas às circunstâncias, e realizar evangelicamente seu serviço de amor, na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária, a caminho do Reino definitivo.” (Página Oficial da CNBB na Web)

Esta definição já nos esclarece que esta não pretende ser uma instituição que zela por interesses particulares, político-partidários e ou de uma teologia tendencialista. Ao contrário, abrange todos os bispos do Brasil. Sendo eles bispos diocesanos, auxiliares, eméritos e prelados das Igrejas Orientais, representadas no Brasil. Não há uma voluntariedade de participação. Se é bispo, está com e na CNBB. Aqueles que dizem ser a CNBB formada por um grupo somente e não a totalidade do episcopado Brasileiro, está mentindo. A CNBB é a única instituição que representa o episcopado brasileiro. Quem discorda dela, rompe com a comunhão, torna-se acéfalo, sectário.

Quanto à sua missão, nada temos que se possa justificar acusações de pensamento comunista, ou algo que o valha. Suas diretrizes pastorais sustentam-se na própria Palavra de Deus. Poderia elencar aqui vários textos que expressam o cerne da missão apostólica dos bispos do Brasil. Limito-me a citar Is 61,1ss, texto que será colocado na boca de Jesus em Lc 4,18ss.

“O Espírito do Senhor está sobre mim: o Senhor, fez de mim um messias, Ele me enviou a levar alegre mensagem aos humilhados, medicar os que têm o coração confrangido, proclamar aos cativos a liberdade, aos prisioneiros a abertura do cárcere, proclamar o ano do favor do Senhor, o dia da vingança do nosso Deus, confortar todos os enlutados, entregar como adorno aos enlutados de Sião diadema, em vez de cinza, unguento de entusiasmo, em vez de luto, vestimenta para o louvor, em vez de um espírito abatido.” (Is 61,1-3)

No texto de Lucas encontramos assim:
“O Espirito do Senhor está sobre mim, porque me conferiu a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres. Enviou-me para proclamar os cativos a libertação e aos cegos, a recuperação da vista, para despedir os oprimidos em liberdade, para proclamar um ano de acolhimento da parte do Senhor.” (Lc 4,18-19)
Textos extraídos da Bíblia TEB, São Paulo: Loyola, 3ª Ed., 2020.

Penso que estes textos inspiram toda a Ação Missionária na Igreja. Com os bispos do Brasil não poderia ser diferente. Em conformidade e escuta inspirada à Palavra de Deus, a CNBB define assim sua missão:

“Respeitada a competência e a responsabilidade inalienáveis de cada membro, em relação à Igreja universal e à sua Igreja particular, cabe à CNBB, como expressão peculiar do afeto colegial:

  • fomentar uma sólida comunhão entre os Bispos que a compõem, na riqueza de seu número e diversidade, e promover sempre a maior participação deles na Conferência;
  • concretizar e aprofundar o afeto colegial, facilitando o relacionamento de seus membros, o conhecimento e a confiança recíprocos, o intercâmbio de opiniões e experiências, a superação das divergências, a aceitação e a integração das diferenças, contribuindo assim eficazmente para a unidade eclesial;
  • estudar assuntos de interesse comum, estimulando a ação concorde e a solidariedade entre os Pastores e entre suas Igrejas.” (Página Oficial da CNBB na Web)

Sob a metodologia e estrutura acima, inspirados pela Palavra de Deus, os bispos do Brasil exercem seu episcopado em comunhão uns com os outros, pelo bem da Evangelização e Ação Missionária. Para tanto, elencam diretrizes que os orientam. Sendo elas:

“Evangelizar com renovado ardor missionário,
testemunhando Jesus Cristo,
em comunhão fraterna,
à luz da Evangélica Opção Preferencial pelos Pobres,
para formar o Povo de Deus
e participar da construção de uma sociedade justa e solidária,
a serviço da vida e da esperança
nas diferentes culturas,
a caminho do Reino Definitivo.”

Conforme o exposto acima, podemos perceber que as acusações que são feitas à CNBB fogem da verdade. São caluniosas, manipulam argumentos, tencionam destruir. Aquele que assim age, não pode estar motivado por nada que seja bom. Nem mesmo vem de Deus. Lembremo-nos do livro do Genesis. Ao tentar Eva à desobediência a Deus, a serpente se faz clara e profícua em suas palavras. Foi preciso todo um método de sedução para levar a mulher ao pecado (cf Gn 3,4-6). É nesta metodologia diabólica que agem os que atacam a CNBB. Usam de argumentos louváveis, como defender a Sã Doutrina. Entretanto, fazem bem o contrário. Agridem esta doutrina e o magistério da Igreja. Ambos nos instruem e exortam à comunhão. O respeito aos bispos, reconhecendo-lhes o devido ministério, é confiança no Espirito Santo. Assim como, devemos – em concordância com a fé que professamos – reconhecer incondicionalmente a ação deste mesmo Espírito. Ele guia a Igreja, por meio de seu magistério, representado pela Sé de Pedro e pelos bispos, continuadores do caminhar dos Apóstolos.

Em uma palavra final, exorto aos irmãos e irmãs que rezem por nossos bispos. Estes nada mais querem do que evangelizar. Em sua juventude, ao dizer seu sim, foram para os seminários viver todo um projeto de formação preparatória aos ministérios ordenados. Certamente, viveram muitas provações, necessárias renúncias. Os que acusam os bispos da CNBB, desrespeitam a história e renuncia de cada um dos bispos que deixaram família e escolheram o Cristo e a Igreja como consagração total de suas vidas. Se não concordamos com tudo que pensam nossos bispos, ao menos, sejamos honestos – dotados de brios nas faces – respeitando a história de cada um. A vida que levam é dedicada às nossas vidas. Bispos são para a Igreja. Para viver a dinâmica do carisma do Bom Pastor. Essas acusações à CNBB são reflexos de personalidades doentias, ingratas, psicóticas. Mordem as mãos que os alimentam.

2 comentários em “Os que falam contra a CNBB, atentam contra o próprio Cristo

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  1. Vemos essas intervenções contra a cnbb,vim de grupos fanáticos ligados a olavo de carvalho,eo malignus steve bannon,desmontar a igreja católica na latino AMÉRICA e a posição que assumiu pelo bem comum, se tudo estivesse quietinho,CERTAMENTE seria cúmplices de tantas OPRESSÕES em 4 anos de volta do famigerado neo feudalismo.

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