Carisma Franciscano – Parte 3

Questionamentos

Frei David Azevedo, frade menor português, em seu livro São Francisco fé e vida, coloca uma questão que vai desenvolver ao longo de seu texto: Qual razão de ser da Ordem Franciscana em nosso tempo? Tal interrogação não é nova. Frei David lembra que já havia sido colocada no Capítulo Geral da Ordem de 1973. Transcrevo questionamentos do frade português.

Não basta apenas nos deter no que se passou em Assis de 1182 a 1226 em torno dum cidadão chamado Francisco. É um problema atual, ou seja, trata-se de saber como deve ser hoje o teor de vida dos franciscanos. Compreendemos que sua importância é enorme, se levarmos em conta o papel da pessoa de Francisco dentro do movimento que dele nasceu. Em quase todos os institutos religiosos, quando se passa do fundador para o instituto dá-se um processo de “despersonalização”. Os membros desses institutos desligam-se da experiência pessoal do fundador e prendem-se aos textos legislativos: a regra e as constituições. São essas que estabelecem a forma de vida e as obrigações que eles prometem observar. O fundador pode desaparecer de cena.
(…)

Francisco foi e continua sendo a “forma minorum”, o ideal de vida dos irmãos menores.

Que quis então Francisco de Assis: resolver um problema pessoal – a salvação eterna, as suas angústias morais, atingir um ideal de perfeição? Que quis Francisco de Assis: resolver os problemas da sociedade de então? Que quis Francisco de Assis: resolver os problemas da Igreja do século XII? Um movimento de pregadores ambulantes? Ou uma nova ordem religiosa? A que dar importância na vida franciscana: a simplicidade evangélica ou apostolado? Como deve o estatuto habitacional dos irmãos: em pequenos eremitérios, fora dos povoados, ou em grandes conventos dentro das cidades? Quais as exigências da pobreza franciscana: a abdicação de toda propriedade, uma forma de vida austera e pobre semelhante a que levou Francisco e seus primeiros companheiros? Que exige a pobreza hoje: que se venda os antigos conventos e se vão os frades a viver nos bairros periféricos da cidade? Que se desprendam dos apostolados tradicionais e se alistem na libertação dos oprimidos?

São Francisco. Fé e vida, Frei Davi Azevedo, OFM, Ed. Franciscana, Braga, p.35


Texto seleto

Provações e recolhimento na caverna

Francisco saiu da caverna extenuado de cansaço e desfigurado pelo desgosto. Outras visitas apesar disso se seguiram, crucificantes sem dúvida, nas veio o dia em que o jovem homem reapareceu, o rosto iluminado por um sorriso que dizia tudo: a graça reencontrada, o coração devolvido à alegria, o amor, sobretudo. O maior pecador tornava-se o maior apaixonado do mundo. E, como era italiano, sua volubilidade de outrora soltou-se novamente outra vez. Recomeçou a fala da princesa, a jovem eleita que o esperava. Delirava como antes? Alguns acreditaram. O que fazer de si, de sua pessoa, de sua alma, de seu corpo, quando se fica apaixonado loucamente pelo Amor?

Julien Green, São Francisco de Assis, Ed. Francisco Alves, p.55.


Frei Almir Guimarães

In: Província Imaculada Conceição

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