O que é e como o Judeus celebram hoje o Shabbat?

Por| Hermes de Abreu Fernandes

Hoje convidamos nosso leitor a aprofundar o conhecimento bíblico. Para tanto, vamos embarcar em uma viagem à Israel. Conhecendo um pouco mais da cultura hebraico-judaica. Esta que se manifesta fortemente nas narrativas bíblicas, assim como, na contextualização da História da Salvação. Para nossa jornada de hoje, vejamos o que é o Shabbat, ou shabāt e, ainda no original hebraico: שבת, isto é, Sábado. Quais suas referências nos textos sagrados e como as famílias celebram-no hoje em Israel.

Primeiramente, vejamos suas origens bíblicas. A origem do Shabbat, vem do início da Bíblia, no livro do Gênesis 2,1-2, quando Deus cria o mundo em seis dias e descansa no sétimo. É neste contexto do descanso do Criador, que se insere o dia de descanso judaico. Em Gênesis 1,5 está escrito: “E foi a tarde e a manhã do primeiro dia”. Podemos nos perguntar o por quê de estar no texto “a tarde e a manhã“. Isto quer dizer que no tempo em que o texto bíblico foi escrito, e ainda hoje para o judaísmo, o dia começa ao pôr do sol. É por isso que ao pôr do sol da sexta feira já começa o Shabbat, o sétimo dia da semana e dia de descanso para os judeus. Considerando que o sábado foi o dia de descanso para o Criador, também o é – segundo a tradição judaica – para os que nele creem.

E como os Judeus celebram o Shabbat em suas famílias? A primeira coisa que se faz é acender as velas, ao pôr do sol da sexta feira. A tradição é que as mulheres as acendam. São duas velas. Além de iluminarem a casa, estas trazem o Shalom Bat, a paz para a casa. Por isto, ainda hoje, os judeus ao encontrarem pessoas no sábado, desejam: Shabbat Shalom, isto é, um sábado de paz. Depois do acendimento das velas, as famílias vão para a sinagoga. Ao retornar às suas casas, se reúnem ao redor da mesa. Esta refeição de sábado está cheia de simbolismos. Expressão de fé em YAHWEH.

Antes de iniciar a refeição, os Judeus lembram sua história e celebram sua fé por meio de canções. Quer sejam da tradição judaica, quer sejam de origem bíblica, como salmos. Um exemplo é a Eshet Shayil, a mulher virtuosa, um fragmento do livro de Provérbios 31,10-31. Após os cânticos, faz-se o Kidush, a benção sobre o vinho. Em seguida, procede-se à purificação das mãos, usando de um recipiente semelhante à uma caneca, de nome Natla. Durante a ablução é feita uma oração e guarda-se silêncio até a benção e partilha do pão. Esta oração e benção sobre os pães, lembra os quarenta anos que os hebreus vagaram pelo deserto, após sua saída do Egito. Há um referência ao Maná enviado por Deus, com o qual, se assavam pães. Uma particularidade sobre este rito é que o mesmo é feito com dois pães. Os dois pães estão no sentido de que quando o povo hebreu colhia o Maná, na sexta feira, deveria fazê-lo considerando o descanso do Shabbat. Assim, colhiam-se duas porções. Uma para o dia, outra para o sábado. Com os pães em mãos, rezam:

Bendito sois vós, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, que fazeis sair o pão da terra.”

Em seguida, come-se o pão com sal (cf. Lv 2,13). Este sal lembra a destruição do Altar do Templo de Jerusalém. Esta referência ao Altar do Templo se faz por se considerar que a família é uma das maiores benção do Altíssimo. Neste sentido, o lar é um pequeno templo.

Na beleza da cultura e religião Judaica, devemos – em se tratando do Shabbat, considerar não o que se pode ou não fazer. Mais importante do que as tradicionais proibições, está o desejo de se rememorar a história de um povo. Sua luta por manter a liberdade em vários processos de cativeiro, assim como, na diáspora.

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