Dom Claudio Hummes: combater a indiferença e ajudar os irmãos de Manaus que sofrem

“Como eu posso ajudar?” Diante da “tragédia enorme” vivida pela crise sanitária na Amazônia, o presidente da Comissão Episcopal da Amazônia da CNBB, dom Claudio Hummes, concede entrevista à Rede Vida e descreve sobre quatros pontos de atuação e comprometimento individual de cada um: superar a indiferença, protestar com práticas conscientes, rezar e ajudar concretamente os irmãos de Manaus, com projetos de arrecadação de recursos e de materiais para serem destinados aos mais vulneráveis.

“Eu não estou sendo indiferente demais?”

Dom Claudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal da Amazônia da CNBB, questiona a consciência de cada um frente à dramática situação da pandemia vivida sobretudo no Amazonas, que sofre diariamente com a perda de vidas, vítimas do colapso do sistema de saúde local, com a falta de oxigênio e de leitos para os pacientes. Com indignação, mas também refletindo sobre quatro pontos distintos de atuação, o arcebispo emérito de São Paulo expôs o seu pensamento sobre o tema em entrevista ao colega Paulo Júnior, da Rede Vida.

Superar a indiferença

O primeiro caminho individual a se percorrer, então, segundo dom Claudio, é superar a indiferença seguindo exemplos como o do Papa Francisco, que tem insistido sobre esse comportamento virtuoso e cristão desde a sua primeira viagem apostólica quando foi encontrar os refugiados em Lampedusa. A própria parábola do Bom Samaritano, disse o arcebispo emérito, serve como referência, pois deveríamos agir como ele que deixa tudo de lado, esquece das suas coisas, para se ocupar de alguém:

“A tendência é ser indiferente, sim. A gente diz: ‘eu não tenho nada a ver com isso, eu não posso fazer nada’. É preciso combater a indiferença e começar a se envolver, a pensar diretamente: ‘eu tenho que fazer alguma coisa, eu não posso ficar indiferente, são irmãos meus que estão ali morrendo, irmãos meus que estão morrendo’.”

Protestar com práticas conscientes

A segunda indicação de dom Claudio, diante da situação atual de crise sanitária envolvida num grande contexto de irresponsabilidades, é protestar com práticas conscientes:

“É preciso protestar, não podemos aceitar isso. Certamente há muitas formas de protestar, certamente não violentas, mas conscientes e que seja de fato, práticas, reais, que a gente tem que fazer.”

Rezar pelos doentes e por quem se dedica a eles

O presidente da Comissão Episcopal da Amazônia da CNBB, como terceira indicação, encoraja a todos a rezar por quem tem sofrido diariamente com a Covid-19, mas também por quem se dedica aos pacientes: cuidadores e profissionais de saúde e inclusive os cientistas.

“A oração tem uma força muito grande. Temos que rezar por todas aquelas pessoas que estão sofrendo, por todas as pessoas infectadas, as que estão morrendo, mas também pelos que estão se dedicando de corpo e alma para salvar o máximo possível de pessoas. Rezar por eles, por essas pessoas: por aqueles infectados, mas também por aqueles que estão tentando cuidar deles e curá-los. Enfim, é preciso rezar pelos cientistas para que as nossas vacinas estejam de fato ao alcance do povo simples, do povo que está ali. Então, é preciso rezar para que haja um pouco mais de sensibilidade, de organização, e também que os cientistas sejam de fato iluminados nos seus trabalhos.”

Como posso ajudar concretamente?

Enfim, dom Claudio volta a insistir sobre o comprometimento e a participação de cada um frente à dramática situação da pandemia, encorajando a realizar ações práticas que possam ajudar lá na outra ponta da crise sanitária. Ele sugere criar projetos para arrecadar recursos e materiais que possam beneficiar os mais vulneráveis:

“Como eu posso ajudar? Como eu, como a minha comunidade, como o meu grupo – se eu faço parte – como podemos ajudá-los concretamente ali? E há muitas formas, claro. Tudo isso que eu já disse antes é uma forma de ajudar, mas ajudar materialmente. Temos que de alguma forma conseguir ajudá-los, como arrecadar fundos para eles lá, como enviar materiais eventualmente. Então, eu vejo que é por aí que talvez a gente pudesse falar alguma coisa sobre essa tragédia enorme e que a gente fica sem palavras.”

Fonte: Vatican News

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