A Igreja não deve falar da Amazônia ou de Política?

Por| Frei Hermes Abreu, ofm

Lamentavelmente, para a confusão do pensamento do povo de Deus, temos opiniões contrárias ao que se refere aos desafios e prioridades da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e no mundo. Enquanto houve, por parte da CNBB e da Casa Pontifícia, forte divulgação e formação de pensamento, no que se refere à formação de consciências, ao nível das demandas sociais e ambientais; há aqueles que atacam estas iniciativas.

O caminhar da Igreja tem se tornado, de forma mais clara a cada dia, declaradamente preocupado com os problemas sociais, políticos e ambientais. Tais preocupações motivaram o Sínodo da Amazônia, acontecido em 2019. Fato historicamente inegável, mas que muitos insistem em esquecer, ou mesmo negar sua legitimidade. O Documento Final, “Querida Amazônia”, foi ignorado por muitos de nossos religiosos e religiosas e, até mesmo, por padres e bispos. Não são raros os pronunciamentos contrários destes que deveriam levar ao público as iniciativas da Casa Pontifícia. Um episcopado faz-se legítimo, quando em comunhão. A Igreja de Jesus é uma rede de comunidades, tendo como líder maior o Papa. Contrapor-se aos projetos de evangelização advindos deste ministério, é o mesmo que se declarar fora da comunhão eclesial.

Não são raras, em nível nacional, as iniciativas da CNBB por Justiça e Paz, assim como, preocupação da mesma com a Integridade da Criação. Outrossim, nas novas mídias, vemos proliferar – de forma incontrolada – a divulgação de oposição à uma Igreja em Saída, como bem o deseja o Papa. Um exemplo: Se tomarmos de nosso tempo em uma pesquisa no YouTube, procurando por Campanha da Fraternidade, veremos uma estatística de 70% de vídeos contrários à campanha anual da CNBB. Afirmam que a Quaresma é um tempo de espiritualidade e a CNBB fica “contaminando a santidade deste momento com temas políticos”. E mais: dizem que a Igreja tem que se ocupar da Salvação das Almas e não debater temas como exclusão social. Ledo engano, pois desde 1881, no pontificado do Papa Leão XIII, que a Igreja manifesta a preocupação com questões sociais. A Rerum Novarum traz uma oficialização ao discurso e, consequentemente, à uma Doutrina Social da Igreja. Entretanto, esta preocupação permeia a teologia patrística e a escolástica. Já na época dos Padres da Igreja se manifestava incansável reflexão sobre o Bem Estar e a Justiça, como predicados do Evangelho. Têm esses ensinamentos a finalidade de fixar princípios, critérios e diretrizes gerais no que toca à organização política e social dos povos e nações. Trata-se de um convite à ação. A finalidade da Doutrina Social da Igreja é “levar os homens a corresponderem, com o auxílio também da reflexão racional e das ciências humanas, à sua vocação de construtores responsáveis da sociedade terrena”. Neste sentido, afirmar que a Igreja deve se ocupar da Salvação das Almas e não de questões sociais, é o mesmo que dizer para a humanidade que seja angélica e não humana.

Pensando em todas estas questões, gostaríamos de exortar aos irmãos e irmãs que se deixem formar pelo magistério da Igreja e não por questões e opiniões pessoais. O Magistério da Igreja tem como caminhar sua inserção nos problemas que tocam à humanidade. Sendo estes: sociais, econômicos e ambientais. Incontáveis são os Documentos que atestam isso. Desde o século XIX, como dissemos acima. Estes que atacam a CNBB e, indiretamente ao Papa Francisco, atacam à Igreja de Jesus. Atestamos ser legítimo todo discurso da Igreja por Justiça Social, preservação do Meio Ambiente, Cuidado com a Vida. O que difere a isso, não é eclesial. Não está em comunhão. Deve ser ignorado.

8 comentários em “A Igreja não deve falar da Amazônia ou de Política?

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  1. Boa tarde Frei Hermes, paz e bem. Seu artigo é muito bom, nos ajuda muito a compreender nossa relação entre fé e vida. Não tem como separar. Realmente as reflexões do Papa Francisco e suas encíclicas são ignoradas por boa parte do clero e consequentemente por boa parte dos leigos. Mas não devemos nos deixar abater e sim continuar a acreditar na Igreja dos pobres. Paz e Bem!

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  2. Acredito una igreja encarnada na vida como fez Jesus cuidar e fazer respeitar os direitos da vida na Amazônia e deixar a Deus cuidar do paraíso quê dio presente a humanidade.

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  3. Bom dia Frei Hermes, paz e bem! Pertenço a OFS. Tenho percebido muita resistência por parte da fraternidade em relação a Encíclica Laudato Si e a Amazônia Querida. Tentei fazer uma reflexão na fraternidade sobre o Sínodo da Amazônia, mas fui boicotado. Mas não tenho desanimado. Estou retomando a Laudato Si através de pequenos áudios. No momento estou refletindo sobre o capítulo 1. O que está acontecendo com a nossa casa. Algumas pessoas da fraternidade tem gostado. Acredito que o momento nos exige resistência. Um abraço fraterno! Paz e bem!

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    1. Que bom ter aqui um irmão em Cristo e Francisco… Estamos juntos no caminho que nos inspira o Seráfico pai. Paz e Bem, meu irmão! Força sempre…

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