A inveja da graça dos outros – Parábola dos talentos

Por| Luiz da Rosa

As parábolas são textos simples que não só têm imagens bonitas, mas que nos atingem pessoalmente. Se não dizem nada para nós, não as estamos lendo corretamente. No final da sua leitura, devemos espontaneamente nos perguntar: “e eu?”.

Uma das parábolas mais emblemáticas contadas por Jesus é aquela dita “dos talentos” (Mateus 25,13-30; Lucas 19,12-27): um homem rico parte, deixando seus bens com três servos: a um dá 5 mil talentos, a outro 2 e ao último 1. Os dois primeiros investem o que receberam e quando o homem volta, podem devolver o dobro, enquanto o último esconde o talento recebido, que devolve na volta do padrão.

Numa parábola aparecem vários elementos e nessa que estamos lendo poderíamos sublinhar: os três servos, o patrão e a soma de dinheiro (um talento são 6 mil denarios – 1 denário é a paga para um dia de trabalho).

Deus dá segundo a nossa capacidade

A primeira coisa que impressiona – e esse é o ponto de partida da nossa reflexão – é a distribuição dos talentos. Uma tradição judaica diz que no final dos tempos Deus não nos perguntará se fomos durante a nossa vida um outro Moisés, outro Isaías ou Jeremias, mas se fomos nós mesmos. Os talentos de que se falam nessa parábola sublinham essa responsabilidade pessoal. Não é correto almejar dar mais do que nossas capacidades, mas também é preciso ter consciência que precisamos fazer tudo quanto somos capazes. Isso nos permite de ter uma relação serena conosco mesmos e com Deus, que nos colocou em um determinado contexto e nos fez crescer ali. É aonde estamos, com aquilo que somos e temos, que precisamos crescer e desenvolver a nossa vida, em harmonia com tudo aquilo que o Senhor colocou em volta de nós.

Podemos entender esse “um talendo” de diversas maneiras. Uma delas é nos reconhecer no pouco. No fundo somos aquilo que somos e devemos nos liberar das presunções. O convite ao desapego está por trás da mensagem dessa parábola. No fundo somos “servos” e o que ganhamos, mesmo pouco, é um dom. Somos criaturas e não senhores. A nossa vida é relativa e se baseia na bondade do Senhor. Fazemos aquilo que nos cabe fazer.

A confiança de Deus em nós

Os servos precisaram dar-se conta da confiança que o patrão põe neles. Esse senhor deu tudo, confiando nos servos. Foi muito generoso. Os dois primeiros servos, observando a generosidade, deduziram que assim como o patrão se desapegou de tudo, também eles deveriam deixar tudo e investir, para entregar o fruto daquilo que receberam. Eles imitaram o padrão! E o fizeram “IMEDIATAMENTE”. Eram contentes pela confiança que o senhor depositou neles.

O terceiro servo se encontra em condição diferente. Os Padres da Igreja dizem que ele se deixou levar pela inveja: por que a mim deu só 1 talento? Não tem consciência do limite pessoal, não consegue ver que o dom do Senhor é proporcional às suas capacidades. É influenciado pela inveja que tem da graça recebida pelos outros. Isso gera não só ciúmes, mas também reivindicação, amargura, como alguém que foi desfavorecido: “com os outros o padrão foi generoso e comigo foi tacanho”. Não consegue acolher a própria diversidade e ofusca aquilo que realmente é, a própria verdade. O padrão não esperava dele mais do que podia dar e nisso ele foi justo. Deu conforme as capacidades que aquele servo tinha.

A perspectiva distorcida pela inveja do terceiro servo o conduz a proceder com acusações contra o Senhor: “por que fez isso comigo”, “por que me deu apenas 1 talento”?

Os dois primeiros, com alegria, investem o dinheiro, enquanto o 3, com o coração amargo, não se preocupa de investir o dom do padrão. No íntimo, o terceiro servo pensa: “ti compostaste assim comigo, toma aquilo que me deste, nem um centavo a mais!” “Não me deste tanto quanto aos outros, o que queres de mim”? “A única coisa que posso fazer é colocar da parte o dinheiro que recebi para ti entregar tal como é”. Tudo isso testemunha a falta de confiança em si mesmo e também a falta de reconhecimento do dom recebido. Usa tudo isso como uma desculpa para não assumir a própria responsabilidade.

Além de não reconhecer a generosidade do padrão, destaca uma suposta dureza do Senhor e sua injustiça: recolhe aonde não semeia, dá a uns mais do que a outros…

Fonte: abiblia.org

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