Alguns desafios pastorais e os irmãos e irmãs da Ordem Franciscana Secular

Por| Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM (*)

1. Estamos vivendo o final da primeira década do século XXI. Os mais velhos vivemos, na segunda metade do século XX, transformações gigantescas na vida do mundo e no seio da Igreja. A Igreja, depois do Vaticano II, conheceu belas e profundas transformações. Também nesse tempo os franciscanos seculares foram buscando seu novo espaço na Igreja e no mundo. Embora muitas fraternidades seculares conheçam sério processo de envelhecimento, surgem novos grupos e as antigas fraternidades são convidadas a buscar novas vocações. Os franciscanos seculares, convictos de seu chamamento, sabem que precisam ser sal da terra e luz do mundo e se sentem responsáveis por levar o cristianismo ao mundo à maneira de Francisco e Clara. São leigos e leigas conscientes de seu papel na Igreja e no mundo.

2. Não podemos deixar de assinalar um fato importante para a vida dos seculares franciscanos. Referimo-nos à Regra de Paulo VI, nova Regra dos Seculares, aprovada a 24 de junho de 1978. Neste ano 2008 ela completou 30 anos. Trata-se de uma Regra atualizada, contendo a seiva da espiritualidade franciscana, redigida com o cabedal do ensinamento do Vaticano II e do Magistério da Igreja sobre os leigos. Esse ponto é de fundamental importância.

3.
 Antes de mais nada afirmamos que os franciscanos seculares são pessoas que trabalham e cultivam sua vida espiritual. Não são apenas “católicos” ou meros tocadores de obras, mais ou menos corretos, mas pessoas profundamente tocadas pelo Evangelho e pelo carisma franciscano. Os membros da OFS entram num processo de conversão. Toda a engrenagem da vida franciscana secular leva a uma transformação pessoal que faz dos irmãos e das irmãs pessoas despojadas, disponíveis, serviçais, dispostas a criar relacionamentos corteses e delicados entre as pessoas.

4. Para chegar a esse despojamento interior os franciscanos seculares cultivarão sua vida espiritual. Haverão de se impregnar cada dia da Palavra, ou seja, da Escritura. Pensamos aqui numa leitura pessoal ou comunitária, na audição atenta da Liturgia da Palavra da missa. Pensamos de modo especial na meditação da Palavra que nos modela individualmente e como fraternidade franciscana.

5. Os franciscanos seculares começam prestando atenção no que ocorre em sua própria família e nas famílias à sua volta. Se são filhos, cuidarão dos pais idosos. Se são pais, prestarão atenção nos filhos. Não faltarão com seus deveres familiares. Dentro do possível transformarão suas casas em igrejas domésticas, expressão muito antiga forjada por São João Crisóstomo. Sabem os franciscanos seculares que as questões familiares são delicadas: aborto, separações, assédio sexual, separações, recasamentos.

6. Administrarão essas situações com firmeza e com misericórdia. Haverão de colorir toda a sua atividade familiar com o jeito franciscano de ser mãe, de ser pai, de ser filho: simplicidade, cordialidade, diálogo, vida despojada. Celebrarão em casa e na fraternidade os grandes acontecimentos familiares.

7. Especial atenção merecerá a vizinhança. Não somos indiferentes e alheios aos que nos cercam. Vivemos com outros: justiça, hospitalidade, veracidade, serviços prestados com generosidade e não mesquinhez. Os franciscanos se farão presentes junto às outras pessoas para que elas sintam que somos delas.

8. Os franciscanos seculares impregnam o mundo do trabalho com seu jeito evangélico: trabalho bem feito, honesto, fazer-se merecedor do salário, fazer progressos na profissão. Saber amar pelo trabalho e no trabalho.

9. Tomo a liberdade de elencar alguns aspectos e campos de atividade dos franciscano seculares que deveriam fazer parte da formação inicial e permanente dos irmãos e das irmãs:

  • manter a tensão sadia entre ação e oração;criar profundidade num mundo de superficialidade;num mundo de compromissos provisórios, colocar em destaque a fidelidade ( no casal, na família, na profissão, nas amizades);necessidade de ser rever o modo como as famílias estão se inaugurando;compreensão sempre mais clara do que vem a ser um cristão leigo no mundo (não é um mini-padre);educar a juventude para a vivência de uma afetividade e uma sexualidade humanas;trabalhar na catequese, ou seja, na formação cristã das novas gerações;num mundo de indiferença e insensibilidade criar uma rede de solidariedade;numa terra de violência, viver o espírito de ternura e de perdão;estar um pouco mais consigo mesmo;
  • evitar aquilo que nos torne pessoas sem critério e sem discernimento, ou seja, não adotar modismos como verdades e sempre cultivar um espírito crítico.

(*) Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM é Assistente Nacional para a OFS e Assistente Regional da OFS do Sudeste II

Fonte: PFICB

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