Que serei quando crescer?

Por| Fr. Hermes Abreu

Na juventude, sempre sentimos os desejos do ser e do não ser martelarem em nosso pensar. Quem nunca se perguntou: ” O que vou ser quando crescer?” Este crescer reveste-se de significado maior que medida. É maturidade. Plenificação do humano. Na dúvida do ser e não ser, mais que um monólogo shakespeareano, instala-se o apurar de sentimentos e razões. Confuso, claramente o é, pois todo discernimento é um processo de crise. Afinal, crise não pode ser algo nocivo. De fato, não o é.

Crise. Do grego krisis (κρίση), do mesmo étimo do verbo krino, separar, depurar, como se faz com o ouro, do grego krysos, onde está presente a raiz do sânscrito kri ou kir, limpar, cujos indícios estão também em crisol e acrisolar. O Dicionário Etimológico de Antenor Nascentes dá também os significados de momento decisivo, separação e julgamento. Há consenso entre diversos outros pesquisadores de que a crise leva à ruptura com o estado anterior. O novo rumo pode ser de melhora ou piora, tanto em medicina como em sociologia, onde o vocábulo é muito usado. Crise é apurar e, com a pureza que lhe advém, a beleza se instala.

É neste processo que se dá a escolha para uma vida. Desafios os temos aos montes, à guisa de escolha. Há que se tomar um caminho. Cada um, seu caminho.

Este processo do desabrochar da psiquê, sustentado, (por que não?), por um aprofundamento espiritual, vivem cada homem e mulher. A construção do homem e da mulher advém de suas escolhas.

Na condição de batizados, somos todos chamados ao serviço do Senhor na eclesialidade. Faz-se necessário bem viver este discernimento. Apurar sonhos e decisões, assim como o ouro. Na matéria bruta, não deslumbramos a beleza inerente de cada um. Há que se queimar com o fogo da perseverança, da maturidade, da escuta. Ser ministro de Deus é estar sempre em formação. O caminho se faz de caminhar. O crescimento, de escuta e humildade.

Deixemo-nos tocar pelo Espírito de Deus neste ano que se inicia. Sejamos anunciadores do Evangelho. Amando, acolhendo, consolando. Sendo instrumentos do abraço misericordioso do Pai.

E a pergunta primeira, a qual, falamos acima? “Que serei quando crescer?” Que tal: serei misericórdia!

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