“Imaculada, Maria de Deus, coração pobre acolhendo Jesus”

Por| Hermes de Abreu Fernandes e Karina Moreti

Os sinos, neste dia 8 de dezembro, se dobrarão em festa. A Solenidade da Imaculada Conceição é uma das mais estimadas celebrações marianas. Para que se desse a encarnação, uma virgem pobre em Nazaré foi escolhida. Na simplicidade daquela pequena cidade, a Nova Aliança se faz possível. Deus habita a casa humana. E, também em uma pequena cidade, Belém, se deu o nascimento. “E tu, Belém Efrata, pequena demais para ser contada entre os clãs de Judá, de ti sairá para mim aquele que deve governar Israel” (Mq 5,1). Se a terra onde nasce Jesus é cara aos nossos sentimentos, muito mais seria o ventre que o gerou.

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, ou seja, esse dogma, foi definida em 1854, pelo papa Pio IX, através da bula “Ineffabilis Deus”, mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no Oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII.

A festa não existia, oficialmente, no calendário da Igreja. Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia chamado bem-aventurado João Duns Scoto, que morreu em 1308. Na linha de pensamento de São Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria como início do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade.

Transcorrido mais um longo tempo, a festa acabou sendo incluída no calendário romano em 1476. Em 1570, foi confirmada e formalizada pelo papa Pio V, na publicação do novo ofício, e, finalmente, no século XVIII, o papa Clemente XI tornou-a obrigatória a toda a cristandade.

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram as prodigiosas confirmações dessa verdade, do dogma. De fato, Maria proclamou-se, explicitamente, com a prova de incontáveis milagres: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. No seu projeto de redenção da humanidade, manteve a Mãe de Deus, cheia de graça, ainda no ventre materno. Assim, toda a obra veio da gratuidade de Deus miseriordioso. Foi Deus que concedeu a ela o mérito de participar do seu projeto. Permitiu que nascesse de pais pecadores, mas, por preservação divina, permanecesse incontaminada.

Maria, então, foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor, que é o pecado original. Em vista disso, a Imaculada Conceição foi a primeira a receber a plenitude da benção de Deus, por mérito do seu Filho, e que se manifestou na morte e na Ressurreição de Cristo, para redenção da humanidade que crê e segue seus ensinamentos.

Na liturgia de hoje, celebrada sob o status de solenidade, devemos lembrar a Virgem pobre de Nazaré. A Imaculada, cujo coração foi dócil ao Projeto de Deus, nos inspira na construção do Projeto do Reino. Mais que uma devoção, a devotio deve culminar na imitatio. Com os olhos voltados à Virgem Maria, devemos seguir o caminho de Jesus. Maria, a Bem Amada de Deus, nos inspira em abnegado sim. Que renunciemos aos nossos projetos pessoais pelos Projetos do Reino. Que possamos com Maria dizer a Jesus: “Carne da minha Carne, Coração do meu Coração“.

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