O VIOLINO DE FRANCISCO – Parte 2

Por| Frei Vitório Mazzuco, OFM

Que mensagem podemos tirar deste ícone de Francisco de Assis? A Palavra, a prece, o louvor neste Santo é a Eternidade encostada no carinho dos gestos. Seu Amor pelo Deus Altíssimo e pelo seu Filho soa como música, dança, melodias saltando de dentro para fora. Para ele, tudo é ritmo na beleza da Casa Comum. Para fazer valer o som pulsante do Evangelho vale para ele qualquer jeito. Quando existe a Boa Nova até dois pedaços de paus tornam-se violinos. A fantasia se expressa em objetos reais, os sonhos transformam-se instrumentos.

O diácono Mauro Sérgio Pollon, que foi nosso postulante a vida Franciscana, escreveu uma bela reflexão: “O violino de Francisco é sonho, é fantasia, é poesia; coisas do coração sem as quais ninguém consegue viver. O violino de Francisco é capacidade de criar coisas novas, revestidas de simplicidade, de ternura e de beleza (…) O violino de Francisco é livre para criar músicas próprias, conforme a inspiração de quem o toca e conforme a ocasião o solicitar. Não há nada prescrito ou determinado, nem padronizado como regra para todos os violinos. Os violinos de pau seguem a voz do Espírito que ‘sopra onde quer'(Jo 3,8), e só os simples conseguem tocar e só os simples conseguem ouvir. No violino de pau de Francisco de Assis, revela-se o segredo do Evangelho: ‘Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos’ (Lc 10,26)”.

A simplicidade e pobreza do violino de Francisco estão intrinsecamente relacionadas com a sua liturgia, ou seja, com sua maneira franciscana de louvar ao Deus criador, do culto ao Cristo pobre e crucificado, da contemplação do Menino Jesus na manjedoura, como fez em Greccio, e principalmente na descoberta de Jesus nos pobres e nos leprosos de seu tempo.

A liturgia simples de Francisco, por sua vez, coloca-se no mesmo seguimento da liturgia de Jesus de Nazaré, que também era simples, capaz de revelar a relação filial, a profunda comunhão existente entre Deus e o seu povo. Jesus usou de palavras simples, ritos simples, orações simples para falar do Pai, ensinando os discípulos a rezarem com simplicidade, preocupando-se mais com o conteúdo do culto do que com a forma. E isto ele sacramentalizou na Eucaristia. A partir de dois elementos cotidianos da vida de seu povo, Jesus fez do pão o seu Corpo, e do vinho o seu Sangue.

CONTINUA

FREI VITORIO MAZZUCO

Fonte: Blog do Frei Vitório

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