Clara de Assis e o ostensório – Parte 3

Por| Frei Vitório Mazzuco, OFM

Se o tema é o Ostensório de Clara, porque o Ostensório não aparece no relato? O fato aconteceu em 1240 e os Ostensórios surgem na Igreja a partir de 1264, ainda no século XIII. Originalmente, as hóstias consagradas eram colocadas numa Caixa como um Cofre onde se guarda o tesouro mais valioso. No dia 11 de agosto de 1264, o Papa Urbano IV, institui a Festa de Corpus Christi, e é a partir daí que surge o Ostensório para levar em procissão o Corpo do Senhor, e ser colocado no Altar.  Ostensório vem do verbo latino ostendere que significa expor, mostrar, ostentar diante dos olhos. A função primordial do Ostensório é apresentar aos fiéis o Corpo de Cristo para a adoração pública. Ele protege o Dogma da Transubstanciação, o dogma perene da Eucaristia, a presencialidade do real do Senhor em corpo e sangue no meio de nós. Ele é adoração e louvor para ser contemplado e não para ser tocado. Quando os sarracenos entram em São Damião não existia, como escrevi acima, o Ostensório, que vai surgir somente 24 anos depois. Clara morreu em 1253 e é canonizada em 1255.  A partir de então, a sua imagem vem com o Ostensório nas mãos.

Mesmo que seja o Ostensório e não a Caixa original, o significado é o mesmo: o Tesouro aí guardado é de um valor incomensurável. É a maior riqueza que se pode ter. O Amor pleno ao Esposo e a certeza de que vai ser protegida por Ele é um dos milagres mais expressivos intermediados por Clara. Diz Marco Bartoli: “A luta de Clara foi desarmada, como desarmada tinha sido a batalha de Francisco em Damieta.

Poverello havia se apresentado ao Sultão sem defesa alguma. Clara se posta diante dos sarracenos armada somente do Santíssimo Sacramento. Sua força estava totalmente em sua intercessão e através de tal intercessão, não somente São Damião, mas toda a cidade foi salva (…) Na iconografia posterior à morte de Clara, o vínculo entre Clara como santa poderosa e o Santíssimo Sacramento é ainda mais acentuado: os sarracenos aparecem como cegados e depois postos em fuga pelo brilho que emana da hóstia (…) Clara é considerada campeã da fé que, como os primeiros mártires e também cruzados, enfrenta os inimigo de Deus sequiosos do sangue cristão. Ela é representada antes de tudo como defensor civitatis, aquela que defende a cidade.  O milagre parece ser como que um fruto de uma tratativa entre Clara e Deus, ao termo do qual Clara consegue, antes de tudo, a salvação de suas sorores e depois também a garantia da salvação de sua cidade. Esta tratativa, durante a qual Clara falou em nome de toda civitas, desembocou num duplo compromisso: da parte de Deus “A cidade sofrerá muitos perigos, mas será defendida” e da parte de das sorores e dos habitantes de Assis: “Enquanto estiverem dispostos a obedecer os mandamentos de Deus” (Marco Bartoli, Clara de Assis, CFFB-Vozes, 1998, p. 185-186).

CONTINUA

FREI VITORIO MAZZUCO

Fonte: Blog do Frei Vitório

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