Iniciação Cristã – Parte 2: O processo de Iniciação Cristã na Igreja Primitiva

Por| Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA

Por “Igreja Primitiva” entendemos, aqui, as comunidades cristãs dos quatro primeiros séculos do Cristianismo. Tempos marcados pelo nascimento da Igreja, fundada na ressurreição de Jesus Cristo, com a vinda do Espírito Santo e o testemunho dos Apóstolos; a expansão da mensagem de Jesus para além da Palestina, atingindo Roma, o centro do Império Romano: “a era apostólica” (33-100). Entrelaçada com esse período, inicia-se a “era dos mártires” (64-311), com o surgimento dos Padres Apostólicos e dos Padres Apologistas: época das perseguições e do testemunho dos cristãos até a suprema identificação com o Senhor, com o derramamento do próprio sangue. Em 313, a Igreja ganha liberdade de culto e as graças do Império Romano, iniciando-se um novo período, conhecido como a “era da Igreja Imperial”, marcada pela contribuição dos grandes Padres da Igreja, a “era de ouro da Patrística”, com os primeiros concílios ecumênicos.

 “Este Jesus que foi morto numa cruz, Deus o ressuscitou e disso nós somos testemunhas!” (cf. Atos 2, 14-36; 2, 38-39; 3, 13-26; 4, 8-12; 5, 30-32; 10, 34-43; 13, 16-41). Trata-se do “querigma”, o anúncio fundamental dos que conviveram com o Senhor, passaram pelo escândalo da sua crucificação e a quem o Senhor apareceu ressuscitado, enviando-os em missão. O encontro com o Senhor vivo encheu-os de alegria e coragem. Os que ouviram esse anúncio, acreditaram e muitas foram as conversões. “Que fazemos, agora? Arrependam-se dos seus pecados, creiam e sejam batizados” (cf. Atos 2,37-41).

Testemunho – Anúncio  – Conversão – Fé – Batismo. Aqui estão os passos que desencadearam o processo de “iniciação à vida cristã na Igreja Antiga”. A catequese (o “ecoar” do primeiro anúncio) era dada por um grupo de ministros, chamados “doutores” nas comunidades paulinas.

A vida das comunidades cristãs primitivas firmava-se sobre quatro pilares: o anúncio/a doutrina dos Apóstolos; a fração do pão (ceia do Senhor/ Eucaristia); a oração e a comunhão de almas e corações, que levava à partilha dos bens, ao cuidado dos pobres e dos necessitados: “vejam como eles se amam!” (cf. Atos 2, 42-46; 4, 32-35). Anúncio e vida estavam intimamente ligados. Catequese e inserção progressiva na vida da comunidade eram inseparáveis.

Em torno do Batismo, porta de entrada para a comunidade cristã, desenvolveu-se o “Credo”, ou “Símbolo da Fé”, que se tornou o conteúdo básico da preparação para a iniciação à vida cristã, juntamente com os “exercícios” para uma vida nova: orações, jejuns, obras de misericórdia: esmolas, visita aos enfermos e prisioneiros, cuidado com os pobres. Normalmente um membro da comunidade apresentava um simpatizante ou um convertido aos coordenadores (bispos, presbíteros e diáconos). Tornava-se assim responsável direto pelo seu acompanhamento na preparação para receber os primeiros sacramentos da iniciação cristã, intimamente ligados: Batismo – Unção e Eucaristia: era o “padrinho ou madrinha”.

Essa prática era denominada “catecumenato”. O tempo de preparação variava de um a três anos. Na Quaresma, havia a preparação imediata; e na Vigília Pascal recebiam-se os três sacramentos, que formavam uma unidade. Os novos cristão eram então chamados “neófitos” (renascidos) ou “fotizómenoi” (iluminados).

Nos três primeiros séculos, o fato de alguém querer ser cristão já era sinal de autêntica conversão, pois significava assumir um risco de vida frente à possibilidade da perseguição. Após o Edito de Milão (313), muita gente acorreu à Igreja para se fazer cristão, nem sempre por convicção, mas por conveniência. A partir daí o catecumenato passa por uma nova estruturação, desenvolvendo-se mais as chamadas “catequeses mistagógicas”, das quais falaremos no próximo artigo.

Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA

Mestre em Teologia Patrística e Professor de História da Igreja na PUC-Minas e ISTA.

Fonte: Catequese Hoje

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