Nênia por Frei Carlos Josaphat

É custosa aos olhos de Javé a morte de seus fiéis.” (Salmo 116,15)

Por| Hermes Abreu, ofm

É com grande tristeza que recebemos a notícia da Páscoa de Frei Carlos Josaphat. Já sentimos o eco de sua ausência. A Arquidiocese de Goiânia informou que o mesmo faleceu aos 99 anos, estando hospitalizado há aproximadamente um mês.

Frei Carlos Josaphat, mineiro, teólogo dominicano, professor emérito da Universidade de Friburgo, Suíça, e Dr. Honoris Causa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP.

Estudioso da obra de Tomás de Aquino, comentou as questões sobre a Justiça da Suma Teológica e, ao longo dos seus 95 anos, publicou diversas obras, entre elas, Vaticano II, a Igreja aposta no amor universal (com a colaboração de Lilian Contreira. Ed. Paulinas. São Paulo. 2013); Paradigma teológico de Tomás de Aquino (São Paulo: Paulus/EDT, 2012); Liberdade e justiça para os povos da América. Oito tratados impressos em Sevilha em 1552. De Frei Bartolomeu de Las Casas. Obras Completas (Vol. 2. Coord. geral da trad., introd. e notas de frei Carlos Josaphat. São Paulo: Paulus, 2010); Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião. De Frei Bartolomeu de Las Casas (Obras Completas. Vol. 1. Coord. geral da trad., introd. e notas de frei Carlos Josaphat. São Paulo: Paulus, 2005); La crise du choix moral dans la civilisation technique (Fribourg: Éditions universitaires; Paris: Éditions du Cerf, 1977); O sermão da montanha: manifesto de santidade cristã e de promoção humana (São Paulo, Duas Cidades, 1967).

Devem ser citados ainda, o livro Evangelho e Revolução Social. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1962, que incendiou a esquerda brasileira no inicio dos anos 1960, antes do Golpe Militar de 1964, e o recente Tomás de Aquino e Paulo Freire. Pioneiros da inteligência, mestres geniais da educação nas viradas da história. São Paulo: Paulus, 2016.

Frei Carlos Josaphat, em março de 1963, fundou o semanário Brasil Urgente. O jornal durou até 1º de abril do ano seguinte, quando foi fechado pelos militares. “Fascistas preparam golpe contra Jango!”, dizia a manchete de sua última edição, a de número 55, publicada quando o fundador iniciava um exílio de 30 anos na França, de onde se transferiu para a Suíça, “por ordem do Vaticano, atendendo a pressões do núncio apostólico em Brasília. “Fora padre comuna”, protestava uma pixação anônima na porta principal da Igreja de São Domingos, onde o frei Carlos Josaphat superlotava missas com suas homilias”, segundo a informação publicada por Agência Estado, 08-11-2002.

Por sua vez, Paulo Freire e Frei Carlos Josaphat sentiram uma grande convergência nos projetos e nos ideais, de despertar a consciência e a militância em todo o povo brasileiro. Eles se encontravam no projeto de uma ética e uma pedagogia libertadora.

As informações são de Lilian Contreira e publicadas pelo portal da Editora Paulus.

Eles trabalharam juntos, em Brasília, na realização do Projeto de Educação de Jovens Adultos, para a alfabetização dos que viriam a ser conhecidos como Candangos, na linha, e sob o elã do que seria o “Método Paulo Freire”.

Em dezembro de 1962, Frei Carlos partiu para a França. Doutorou-se com uma tese sobre a “Ética da Comunicação Social e do Jornalismo” e fez um estágio no jornal Le Monde.

Permaneceu pouco mais de dois anos em Paris e foi nomeado professor na Universidade de Friburgo, na Suíça, onde começou a ensinar em janeiro de 1966. Exerceu o magistério universitário até junho de 1993. Saiu como Professor Emérito da Universidade de Friburgo, retornando ao Brasil, em 1994.

Durante estes 30 anos Frei Carlos tornou-se um escritor em língua francesa, publicando várias obras ou traduzindo em outros idiomas como, italiano, inglês, alemão e espanhol.

Chegou a fundar uma coleção bilíngue francês-alemão com o título de: Estudos de Ética Cristã. Hoje com mais de 100 volumes.

Enlutados estamos. Na esperança da Utopia que animou o caminhar de Frei Carlos Josaphat, permanecemos na luta por um mundo mais fraterno e humano, iluminados pela experiência de Deus, o qual, tão bem nos elucidou nosso irmão Josaphat. Antes, um homem de Deus. Hoje, um homem com Deus.

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