Sobre o Discurso do Papa Francisco

Heteronormativo, Religião e os Direitos Humanos. Um olhar
crítico e de AMOR FRATERNO e ACOLHIMENTO.

Por| Edilson de Carvalho1

As redes sociais foram tomadas nesses últimos dias por discursos a respeito de um documentário do Papa Francisco, que poderia ter falado algo a respeito dos homossexuais.

Não vamos defender nem ser contrários ao que falou ou não o Papa Francisco, nossa proposta é trazer uma luz a este tema a respeito da população não só homoafetiva, mas de toda população em vulnerabilidade, com um olhar sociológico, teológico e Direitos Humanos, com “amor fraterno” e “acolhimento”.

Os Direitos Humanos, em 1948, quando da assinatura deste documento feito na ONU como compromisso de promover a paz e a proteção dos direitos da pessoa, após os eventos da segunda guerra mundial. Este compromisso traz diversos artigos como parâmetros para esta defesa, e um deles são os Direitos Civis que são direitos do homem e mulher e do cidadão.

Art. 4.º – A liberdade consiste em poder fazer tudo o que não prejudique o próximo: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos.

Os Direitos à Vida, Liberdade e Segurança Pessoal;

Artigo 2º  

1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. A previsão do artigo 2º da DUDH – inexistência de distinção entre as pessoas por conta de sua raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição e também da condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa – amplia o conteúdo do direito à igualdade, dando-lhe caráter material, ao indicar que os indivíduos não podem sofrer prejuízos por terem raça, sexo ou língua, por exemplo, diferente dos demais. 2

É estabelecido a liberdade sobre diversas questões sociais de direito, como religião, sexo, raça, a questão do sexo é abordada na DUDH (Declaração Universal dos Diretos Humanos) para que seja garantida toda forma de liberdade, sem a restrição de diretos sociais.

A religião, tem por tradição se impor a questões de relacionamentos de pessoas do mesmo sexo, por diversas interpretações teológicas e a mais clara delas é fundamentada em “mitos” da criação. Onde Deus cria a humanidade, homem e mulher e que esta é a relação que Deus realmente afirma ser a única possível. Mas se nossa humanidade, se baseia em um mito, que provavelmente nas tradições de diversas religiões tem o mesmo ou pelo menos parecidos conceitos da criação, no cristianismo isto é uma necessidade de no exilio da Babilônia em se dar uma resposta e criar  esperança para os judeus em escravidão e exilados, tendo suas convicções religiosas postas em contradição por uma diversidade cultural religiosa que existiam na Babilônia.

Nossa cultura tem um conceito mitológico, de que homem e mulher foram criados no jardim do Éden e que de lá para cá seguimos piamente esta relação, masculino e feminino e sexual, como a única forma existente e aceita socialmente.

As causas destas crenças levaram para as mais diversas formas de violência, indo contra os princípios da própria religião, o de acolhimento, fraternidade e amor, uma contradição da humanidade em relação ao AMOR de Deus e de sua misericórdia, tornam de difícil compreensão a relação de ódio e amor.

Se faz necessário, diante das reações adversas a estes temas, buscar entender o AMOR de Deus e a contradição de seus “seguidores”.

O termo heteronormatividade, criado por Michael Warner, teórico social, é a condição de aceitação social de relação sexual somente de pessoas de sexo oposto.

Um olhar sobre as causas sociais desta concepção de que tudo que seja contrária a heteronormatividade é excluída do meio, tem consequências sociais graves como: a mãe solteira, a prostituta que são heteros, a precarização da mulher no trabalho, a mulher é subjugada pelo pai, pelo marido, pelo filho, o poder patriarcal, termo conceituado por Millett (1970), dá ao homem o direito intrínseco de dominar, de subjugar e de impor regras às mulheres, sobre o seu corpo, seus desejos e sua autonomia, mesmo a mulher trabalhando mais, estudando mais a sua renda é menor se comparada ao do homem na mesma atividade profissional.

As prostitutas, não são aceitas e nem tem uma profissão, não tendo direitos sociais garantidos, como os benefícios previdenciários de atendimento médico até a aposentadoria, a mãe solteira dificilmente pode ser contratada por ser a única a cuidar de uma criança.

Como observamos, a heteronormatividade cria além das citadas um mundo de excluídos e a fala do Papa vai muito aquém de somente a relação sexual de sexos iguais.

A visão social desta preconcepção da heteronormatividade que a sociedade machista e patriarcal criou a milênios, marginalizam pessoas como as prostitutas, as mulheres, os homoafetivos, os casais de segunda união, estes grupos e muitos outros não são aceitos dentro de muitas instituições religiosas, do mundo econômico e por sua vez no ceio familiar e na vida social.

Concluímos que, o AMOR de Deus, na sua misericórdia,  necessita ainda ser aprofundada através da experiência individual de se relacionar verdadeiramente com o seu próximo e entender que é no seu próximo que se cumpre a espiritualidade Divina e o agente fundamental da “salvação”, se cumpre no mandamento de Jesus que é AMAR o seu próximo como a ti mesmo.

Se não somos capazes de aceitar o outro como ser humano, integral na sua historicidade, com AMOR e a misericórdia Divina, nas suas opções mesmo que diferentes das nossas, como seremos capazes de aceitar a Deus, e a seu filho que deu a sua vida por AMOR a todos e todas sem objeções?

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 1 – Edilson de Carvalho é graduando em Licenciando em Sociologia., pós-graduando em Docência em Ensino Religioso, pós-graduando em Sagrada Escritura.

2 – Íntegra da declaração em: https://br.ambafrance.org/A-Declaracao-dos- Direitos-do-Homem-e-do-Cidadao

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