A Misericórdia não se sujeita à Lei

Por| Hermes Abreu

Nesta segunda feira da 30ª Semana do Tempo Comum, o Evangelho nos traz uma profunda mensagem. Também, uma provocação.

Havia uma mulher que há 18 anos estava doente (cf. Lc 13,11). Era encurvada e incapaz de caminhar direito. Assim o foi, até encontrar-se com Jesus. Deste encontro, resulta a libertação. “‘Mulher, estás livre da tua doença’. Jesus pôs as mãos sobre ela, e imediatamente a mulher se endireitou, e começou a louvar a Deus.” (Lc 13, 12b-13).

Era sábado. Estando eles na sinagoga, o chefe desta – que a tudo assistiu, ficou furioso. Como poderia Jesus curar em um dia de sábado? “Existem seis dias para trabalhar. Vinde, então, nesses dias para serdes curados, não em dia de sábado”. (Lc 13,14b). Jesus lhe responde: “‘Hipócritas! Cada um de vós não solta do curral o boi ou o jumento, para dar-lhe de beber, mesmo que seja dia de sábado? Esta filha de Abraão, que Satanás amarrou durante dezoito anos, não deveria ser libertada dessa prisão, em dia de sábado?’ Esta resposta envergonhou todos os inimigos de Jesus. E a multidão inteira se alegrava com as maravilhas que ele fazia.” (Lc 13,15b-17).

Assim como os Fariseus, nossa sociedade e – até mesmo – a comunidade cristã, tende a limitar a graça. Desejam contristar o Espírito de Deus (cf. Ef 4,30). Limitar sua ação, segundo critérios humanos. Ou, desumanos. Pode ser que o contexto em tempos hodiernos seja diferente. Outrossim, a questão não se difere ao todo. Quantas vezes não fomos questionados se este ou aquele irmão é digno da graça? Quantas vezes não se julga o beneficiado de uma ação de misericórdia por não ser-lhe mérito? A graça limitada à lei. O Amor de Deus, rebaixado à meritocracia. Assim como Jesus não podia curar nos dias de sábado, moradores de rua não merecem auxílio material por sua forma de vida. Dizem que são vagabundos, bêbados e drogados. Escolheram o sofrimento. Outro exemplo: A dignidade e o afeto devem ser negados aos homossexuais. Por fim: Pessoas devem ser excluídas dos sacramentos por impedimentos morais. Os postulados do Papa Francisco por acolhimento são vistos como heresia, como vimos recentemente. Tudo muito fundamentado em doutrina e teologia. E Deus? Ama loucamente. Loucura de Cruz (cf. Jo 15,13).

Fica-nos a provocação deste Evangelho de hoje. Jesus, tendo misericórdia daquela que sofria há 18 anos, opta pela libertação. Nada importou ser sábado. Penso que ele também não auferiu as virtudes e o mérito desta mulher. Curou. Libertou. Peçamos que o Cristo possa agir em nós. Sendo misericordiosos sempre. Não obstante, quando a lógica humana diz: não! Assim, seremos também curados. Da hipocrisia.

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