Era uma vez no Paraíso…

Por| Pe. Nilton Cesar Boni, cmf

As fábulas de Esopo, de La Fontaine, as histórias da Dona Carochinha e tantos outros contos que nos trazem belas reflexões, sempre alimentaram a fantasia, a imaginação e a esperança nas pessoas. As fantásticas historinhas infanto-juvenis que servem principalmente para os adultos, são ótimas lições de moral e sempre atuais instrumentos pedagógicos que auxiliam na formação da consciência e da edificação dos valores éticos que norteiam a conduta social. Servem de proximidade entre as famílias que priorizam um tempo para transmitir esses ensinamentos, estabelecendo um diálogo e construindo relações mais estáveis.

Com essa breve introdução, quero iniciar a reflexão sobre uma fábula que há poucos dias marcou nossa realidade brasileira. Ela começa assim: “Era uma vez”, num país chamado Brasil, cujo espaço geográfico é magnífico e seus habitantes trazem uma mescla de muitas etnias, que um milagre aconteceu. Depois de muito tempo, décadas marcadas por desigualdades, por muitos políticos desonestos, onde desviar dinheiro, guardá-lo nas nádegas ou em malas era uma prática comum, finalmente, nesse lindo país, foi extinta a corrupção. Felizmente, o presidente e toda a sua competente equipe, tão empenhado em acabar com essa chaga em nossa sociedade, declarou o fim daquilo que tem devastado esse país construído por homens e mulheres que deram seu sangue para torná-lo livre.

Nesse paraíso tropical, agora tudo funciona de acordo com os preceitos da honestidade, bondade, igualdade. Não há mais racismo e nem intolerância, nem fome e miséria, todos tem acesso à saúde de qualidade e a educação está no ranking das melhores do mundo, a violência deu lugar à harmonia, acabou o desemprego. Que conquista! Tantos anos de escravidão causados pela ganância, agora podemos realmente viver e não mais sobreviver. Tudo isto graças ao magnânimo trabalho que derrotou a corrupção.

Sonhar não custa nada, esperar que uma fábula se torne realidade faz parte da nossa busca por um mundo melhor. Afinal de contas, se perdermos esse desejo, aí sim que vem a derrota.

A meu ver, o maior corrupto é aquele que nega a realidade e tenta manipular a consciência dos cidadãos. A cegueira é uma escolha e eu respeito os que se vivem de fábulas sem tirar uma lição concreta para o bem de todos. Espero que como cidadãos responsáveis consigamos desmontar as mentiras que nos rodeiam com a luz da sabedoria para que a história revele às gerações futuras que não fomos passivos e enjaulados num mundo de contos de fadas e assim, possamos redigir essa fábula de outra maneira. Era uma vez, você, eu e todos nós, num país que se reconstruiu das cinzas de suas dolorosas mentiras e com a participação ativa soube colocar em prática sua Constituição assegurando o direito à vida e à dignidade.

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