O “Mito” e a Natureza em Chamas

Por| Hermes Abreu

O Brasil queima. Biomas destruídos. Vida ameaçada. Vegetal, animal, humana.

São muitas as imagens que vemos de animais, tão caros ao equilíbrio da Natureza, mortos às margens das rodovias. Também não raros são os depoimentos daqueles que tem suas casas, lavouras, criação de pequenos animais; vida e sustento ameaçados. Morte por todos os lados. Esperança, tristeza, alento; choram e clamam aos céus.

Enquanto isso, o presidente desse país que definha sob fogo e desesperança, mente descaradamente sobre os fatos diante do mundo. Mentiu sobre a realidade. Mentiu sobre suas intenções. Absurdas as afirmações sobre a origem dos incêndios. Caboclos e indígenas os culpados? Quem seriam as maiores vítimas destas desgraças?

Bolsonaro mente, justificando seu projeto de morte. Testificando o que todos sabiam. É uma pessoa sem caráter. O título de mito que lhe foi conferido só é convergente com a ausência de realidade. Seria ele portador de uma psicopatologia que o faz pensar em seu discurso como creditável? Quem não vê o que acontece no Brasil? Fez-se ridículo. Tornou nossa dor risível. Decaso, perfídia, desamor.

Além das falácias sobre os incêndios, educadamente chamados de queimadas, ele afirmou que a prioridade desse governo é o combate ao vírus e ao desemprego. Ele que chamou o Corona Vírus de “gripinha”. Sobre o desemprego, nem se faz necessário comentar. A economia do governo Bolsonaro prioriza a exploração dos pobres e do meio ambiente, em defesa do privilégio dos poderosos. Estes, a quem o presidente se vendeu.

E aquele discurso sobre cristofobia? Onde se encaixa na realidade? Sabemos, biblicamente, que o Diabo é o pai da mentira (cf. Jo 8,44). Se um presidente mente descaradamente, onde se enquadra a fé cristã em seu discurso?

Esta página vem, por meio desta publicação, solidarizar-se com todas as vítimas pelo Covid-19 e os que tem sua moradia e trabalho ameaçados pelos incêndios já celebrados pela mídia. Não se trata de ficção. O fogo mata a esperança de nosso povo. Nossos irmãos e irmãs na Criação, na pessoa de cada animal, cada árvore – um arbusto sequer – que morre sob as chamas; somos todos nós que morremos.

Seja Javé alento em nossa dor. Enquanto Igreja, nosso clamor não pode e não deve se calar face à morte. Nosso grito de profecia também deve se dirigir àqueles que ferem ou são cúmplices com as ameaças à Vida. Chega de morte! Chega de políticas de morte! Venha-nos o Reino de Deus. Este é Justiça, Paz, Alegria e – sobretudo – Vida. E Vida em abundância (cf. Jo 10,10).

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