Padre do jeito certo

Por| Hermes Abreu

Neste mês das vocações, fico pensando em quanto o povo anseia por ministros. Pedem para que o Senhor chame operários para a messe. Nada mais digno e apropriado. Também é comum, quando um jovem se faz vocacionado, ser abordado nas comunidades para conselhos e exortações. Tão quanto os formadores dos seminários, o Povo de Deus quer participar deste ousado projeto: formar operários para as searas do Senhor.

Veio-me à memória. Na minha paróquia de origem, em minha terra natal, tendo como padroeira Santa Terezinha do Menino Jesus; também tive as formadoras e formadores por aspiração. “Menino, você tem que escolher a arquidiocese!” Ou o revez: “Padres religiosos têm mais base, mais espiritualidade…” Havia também os que eram especialistas em missão e pastoral: “Não seja desses padres que se metem em política! Eles tem parte com os comunistas… ” E, como a liberdade de pensamento o permite, havia os mais engajados: “Irmão, não seja alienado. Conservador! Tenha um pé na vida e um olhar no céu! Veja Dom Hélder, Dom Luciano. Esses são modelos de vida sacerdotal!” Ufa! Quanto conselho! Pena que vivemos, quase sempre, menos de 100 anos! Não dá pra seguir todas orientações que recebemos. O Povo pede sacerdotes. E que sejam do seu jeito. Ledo engano. Importa representar aquele que é o Senhor da Messe: Jesus. Qual é o modelo certo de sacerdote? Aquele que faz memória do Cristo.

Conheci muitos religiosos, religiosas, padres, bispos e passei por três papas. Quanta gente! Aprendi com eles. Alegrei-me e chorei. Forçando aqui a memória, vejo que todos que me marcaram, ficaram impressos em meu coração, eram bem diferentes entre si. Daí, me pergunto: qual o jeito certo de servir a Deus e à Igreja? Dentre todos estes que falei, uma virtude é comum. Estava incrustada na alma de cada um deles: sinceridade. Fizeram de suas vidas real consagração. Nas abadias ou nas favelas, seus dias eram uma soma de compromissos para bem viver sua fé e vocação. Pessoas comprometidas com o chamado. Apaixonadas por Jesus e sua Igreja. Uns com suas batinas e hábitos diários, outros de sandálias, tênis, calça surrada, barba por fazer. Irmamados pelo Reino. Navegando e fazendo navegar a Barca de Pedro.

Atualizando este pensamento, gostaria de me dirigir a você, meu irmão e minha irmã. Quando em sua comunidade chegar um padre, ame-o do jeito que é. A vida sacerdotal é cheia de opróbrios. Ele está ali porque pensou em você, Igreja de Jesus. Mesmo que ele não pense como pensa, não seja exatamente o que esperava; ele está lá. Há uma beleza extraordinária na diversidade.

A vocação de cada sacerdote é preciosa aos olhos de Deus. Deixou tudo pelo Reino. Passou anos em formação. Lapidou muitas de suas limitações. Outras, nem tanto. Ele pode não ser do seu jeito. Há muitas formas de amar. Quando bater aquela dúvida, não julgue. Procure. Abrace. Abra seu coração. O amor se constrói amando. Padres e leigos só podem construir o Reino pelo amor. O que foge a isso, não vem de Deus. É reflexo do humano.

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