Reflexões Litúrgicas – Parte 32: Ele está no meio de nós!

“Ele não é como os outros Grandes Sacerdotes; não precisa oferecer sacrifícios todos os dias, primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos pecados do povo. Ele ofereceu um sacrifício, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo” Hb 7,26-27

Por| Karina Moreti

Ephapax é um termo de origem grega que significa “de uma vez por todas”. Este termo aparece cinco vezes no Novo Testamento (Rm 6,10; 1 Co 15.6; Hb 7,27; 9,12;10,10). Basicamente, a palavra afirma a eficácia do sacrifício de Cristo.

Como nos mostram os evangelhos, Cristo já realizou tudo o que era preciso para nossa salvação. Mas nós precisamos fazer a nossa parte dentro deste tempo da Igreja.

O ephapaz os leva a entender que o sacrifício de Cristo, não foi apenas um momento. O termo nos leva a uma conotação de continuidade supratemporal. O sacrifício de Cristo não fica isolado em um fato histórico, ou seja, no passado, mas continua sendo vivenciado pela comunidade ao longo dos séculos. Este sacrifício supera o tempo cronológico, do tempo histórico.

“Todas as vezes que comer deste pão e beber deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que Ele venha.”

Nossas celebrações fazem menção ao fazer memória, rememorar é uma esperança.

É através desta dinâmica e perspectiva supratemporal que se torna possível compreender a pedagogia divina dentro do Ano Litúrgico da Igreja.

O centro do Ano Litúrgico é o Cristo. Ele é o ponto de referencia para todo o calendário da Igreja (cf. SC – opera omnia).

O Ano Litúrgico, de forma mística, mantém todas as gerações de fiéis, do tempo da Igreja, em contato direto com o Cristo e com sua ação salvífica. Podemos dizer que é a partir dele que se celebra hoje o dia da salvação!

Estas celebrações são memoriais, ou seja, uma atualização do mistério da Redenção. É através desta atualização que o tempo da salvação acaba por ser inserido no tempo cronológico, assim unem-se o Cronos e o Kairós (Κάιρος).

É importante lembrar, que mesmo celebrando dentro do tempo da salvação os mistérios de Cristo ao longo do ano litúrgico, necessitamos da colaboração do tempo cósmico (Chronos – Χρόνος), já que é através dele que podemos vivenciar diversos aspectos do tempo da salvação dos mistérios litúrgicos. Ele nos apoia ao celebrarmos as laudes ao amanhecer e as vésperas ao pôr do sol.

É no tempo cósmico que podemos vivenciar o tempo da graça, ele é o meio pelo qual podemos manifestar nosso louvor, nossa oração, nossa liturgia.

Deus é infinita bondade. Ele nos lança em seu projeto salvífico, na liturgia ano após ano. Somos mergulhados no único e definitivo sacrifício, o de Cristo. É preciso entender, que não existe uma repetição do fato celebrado, já que ele é único, é sempre atual.

A Páscoa do Senhor é única, e mesmo ao passar dos anos continua sendo única e irrepetível, somos nós, os seres mutáveis, que temos a capacidade de estarmos melhores, mais convertidos, tendo a graça de melhor experimentar este mistério.

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