Um Espírito realmente Consolador

Por| Hermes A. Fernandes

Hoje é Pentecostes.  Mais que celebrar uma solenidade no Calendário Litúrgico, precisamos reviver a experiência dos primeiros discípulos que se inflamaram no Deus Trino. O Deus, na pessoa de seu Espírito, inaugura a Igreja de Jesus (cf. At 2,1-4). O fogo que animou a Igreja Primitiva deve nos inflamar, animar na caminhada. Hodiernamente, estamos necessitados deste novo ânimo. Desta renovação.

Vivemos tempos difíceis.  Morte por todos os lados.  O COVID-19 nos jogou à face a fragilidade de nossa condição. Tal fragilidade humana,  há tempos não esteve tão evidente. Onde estão os poderes do dinheiro, das castas, dos opressores? O luto e o medo  atingiram a todos. Como bem o disse o Marquês de Maricá, “O nascimento desiguala, mas a morte iguala a todos”. Mesmo que macabra, esta constatação derruba toda soberba humana.

Também vivemos momentos difíceis na esfera política.  O atual governo nos passa a mensagem de que nada busca além de destruir a esperança dos pequenos. Mentiras, troca de asperezas, acusações de todas as partes. E esse presidente surtado! Louco a bradar, sem nada construir. Medo, insegurança, morte.

Pentecostes! Nascimento da Igreja. Renovação da Esperança. A certeza de que a promessa de Jesus se cumprira. Não só ressuscitou, como enviou o Paráclito (cf. Jo 16,7). Espírito Consolador. Dispensador de seus Sete Dons.

Assim como a Igreja Primitiva se deixa impulsionar pelo Espírito de Deus, devemos nós reavivar a coragem que dele provém. Nestes tempos tão incertos, é imperativo à Igreja de Jesus o desejo de renovação. Assumir a coragem de ser transformação. Vida, onde a morte ameaça. Esperança em meio ao desespero. Amor, face a tanto ódio apregoado, vivido. Perdão como antídoto à tanta desunião. Luz em confronto às trevas existenciais que nos assolam.

Neste Pentecostes, imploremos pelo discernimento. É preciso que aprendamos as lições que estes tempos obscuros possam nos deixar. Não mais haverá sobre-humanos. Somos todos frágeis. Pequenos. O isolamento social nos machucou e ensinou que homem algum é uma ilha. Somos comunidade, fraternidade. Precisamos de afeto, partilha, comunhão. A Palavra de Deus estava certa. Acordemos em nós o ensinamento dos Apóstolos, da Igreja Primitiva (cf. At 2,42). Sendo Igreja Solidária, Terna, Fraterna. Sendo presença profética junto às fraturas sociais. Anunciando o Reino de Deus e sua Justiça (cf. Mt 6,33); denunciando tudo que se contrasta ao Sonho de Jesus e seu Projeto.

Vem, Espírito Santo! Vem iluminar! Ilumina a Casa Humana, ante tanta insegurança. Anima o Povo de Deus na construção de seu Reino. Faz-se mister novo ânimo. É imperativo reconstruir nossa história. Do luto à alegria. Curar os corações feridos, anunciar um novo Ano da Graça do Senhor (cf Is 61,1-3 e Lc 4,18-19). Sejamos Igreja viva, reconstruindo a Casa de Deus.

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