Deus mihi dixit

Por| Hermes Abreu

Estamos em um Alverne. Nossa alma clama, chora copiosamente. As mortes que nos cercam, evocam pânico, desespero. Estamos na noite escura da humanidade.

Pensando nisso, lembrei-me de São Francisco de Assis. Desiludido, ferido pela incerteza. Via os sonhos na Ordem dos Frades Menores, anuviarem-se em interesses pessoais. Também ele estava ferido. Também ele sentia-se abandonado em sua noite. Onde estava o Sol que iluminou sua vida e chamado?

Fatigado, recolheu-se no Alverne.

Orou, jejuou, buscou estar próximo daquele que o chamou: o Amor que não é Amado.

Em resposta, Jesus não lhe deu alívio. Fez-lhe crucificado. Estigmatizado. Na dor estava a resposta. Na partilha da Cruz que ele, o Senhor, experimentou. Francisco fez-se o Homo Crucis. Na dor, transfigurada em alento. O que segue a Cruz será sempre a Ressurreição. Francisco, na noite escura do Alverne, viveu – pelos estigmas – a glória do Cristo. Experimentando o calvário, foi suscitado ao Tabor.

Também nós, após este calvário de lágrimas e incertezas, poderemos – em Jesus e ao exemplo de Francisco de Assis – encontrarmo-nos marcados pela transcendência. Quiçá, quando tudo isso passar, possamos repetir com Francisco de Assis: “Deus mihi dixit”. Ele me falou. Eu estava com ele e nele.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: