Maldita seja a língua que propaga o escândalo e a divisão

Por| Hermes Abreu

“Quem escandalizar um desses pequeninos que acreditam em mim, melhor seria para ele pendurar uma pedra de moinho no pescoço, e ser jogado no fundo do mar.” (Mt 18,6)

Não! Este texto não pretende ser uma exegese bíblica, mesmo que se fundamente na Palavra de Deus. Estas linhas são frutos da iracúndia de um servo de Deus. Um apaixonado pela Igreja de Jesus, que – cansado das atuais falácias em torno do Sínodo da Amazônia – sente-se impelido pelo Espírito a tomar a palavra. Do lugar do Povo de Deus, nascem estas reflexões.

Primeiramente, gostaria de contextualizar os fatos. Bem antes do anúncio do Sínodo da Amazônia, pessoas que se intitulam defensores da verdadeira Igreja de Jesus, têm espalhado boatos, reflexões que são do frutos de seus achismos pessoais, mas são propagadas como Magistério Oficial da Igreja. Não o são. A sede do Magistério é a Sé de Pedro, assim como, o Colégio Apostólico. Não é uma emissora de Tv, um blog, um perfil em rede social. O que a Igreja diz, está em seus veículos oficiais de comunicação e documentos pontifícios. Estes blogs, perfis em redes sociais, canais no youtube, veículos não oficiais e – por que não o dizer? – irresponsáveis, vêm espalhando mentiras acerca do pontificado de nosso amado Papa Francisco. Vão além: atacam a CNBB, as pequenas comunidades e tudo que se refere à ideia de uma Igreja em Saída. Comprometida com os pobres.

Podemos lembrar 14º Intereclesial das CEBs, acontecido em 2018. Foram tantas as agressões e mentiras propagadas sobre o referido evento das CEBs, em Londrina! Acusaram de ato comunista, Frei Betto foi chamado de excomungado, entre outros disparates. Afirmações mentirosas, fruto de mentes doentias, ou imorais.

A Campanha da Fraternidade este ano foi atacada por blogueiros, pedindo que este evento não mais existisse no calendário da Igreja. Alegavam que atrapalhava a quaresma. Que a Campanha da Fraternidade nada tem com a Vida Cristã e, sim, é fruto de ideologia política. Ledo Engano.

Toda e qualquer iniciativa da Igreja no Brasil que tenha um perfil mais social é vista como mentalidade comunista. Poderia elencar vários outros fatos. Não nos faltam exemplos de contestação à Igreja que se compromete com os empobrecidos, à CNBB e – pasmem – ao Papa. Sobretudo agora, por ocasião da convocação ao Sínodo da Amazônia.

Em segundo lugar, gostaria de elencar quem são estes opositores. São católicos. Pelo menos, se reconhecem como tal. Em sua grande maioria, desgostosos com a caminhada da Igreja pós conciliar. Apegados ao clericalismo, ao triunfalismo, às relações de poder. Negam que o papel da Igreja seja, também, se comprometer com o bem estar integral de seu povo. Seria como se não existisse 19 encíclicas que se preocupam com a questão dos empobrecidos, da marginalização, da favelização, das agressões à Integridade da Criação. Falam tanto de fidelidade ao Magistério, mas se esquecem destes documentos pontifícios, exemplificação do Magistério. Afirmam estar em defesa da Sã Doutrina da Igreja e, por isso, opõem-se à ideia de Igreja em saída; mas se esquecem que a Doutrina Social da Igreja tem alicerce na Palavra de Deus, pelos livros proféticos, além dos Evangelhos (cf Lc 4,18ss). Como exemplo, em Jeremias podemos ler:

“Julgou a causa do aflito e do necessitado? Então lhe sucedeu bem; Porventura não é isto conhecer-me? Diz o Senhor. Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua avareza, e para derramar sangue inocente, e para praticar a opressão, e a violência.” (Jr 22,16-17)

Ou ainda em Amós:

Venderam o justo por dinheiro e o pobre por um par de sandálias; porque são ávidos para ver o pó da terra sobre a cabeça dos indigentes e desviam os recursos dos humildes, depois que o filho e o pai vão à mesma moça (…) por causa das roupas penhoradas que extorquiam perto de cada altar e do vinho confiscado que bebem na casa de Deus.” (Am 2,6-8)

Além da Palavra de Deus, também os Santos Padres nos ajudaram nestas reflexões. Irineu, João Crisóstomo, Atanásio de Alexandria; demonstram em seus escritos a preocupação com a desigualdades entre ricos e pobres e as injustiças aos pequenos. Na Escolástica, temos Tomás de Aquino. Formulador de uma cristologia, na qual, Jesus – por sua misericórdia – se identifica com os sofredores na Paixão.

Neste sentido, a oposição destes ditos católicos não se fundamenta nem na Palavra de Deus, nem na Sã Doutrina. Estas, justificam e impelem a Igreja à Opção Preferencial pelos Pobres, à uma Igreja em saída. Por que o fazem? Por que semeiam tanta divisão na Igreja? Por que fazem tanto alarde?

Não se pode elencar os motivos. Cada pessoa deve ser conhecedora de seu coração. Outrossim, as consequências destes opositores são lamentáveis. Há católicos que não mais escutam seus párocos, se inserem em suas comunidades. Preferem a Igreja da mídia. As missas televisionadas. Não mais participam de seus conselhos paroquias, das reuniões dos círculos bíblicos. Preferem a Igreja maquiada, camuflada no mundo de conto de fadas da TV. Triste realidade.

Enquanto isso, no mundo real, pessoas morrem por não ter tratamento digno na Saúde Pública, a juventude é destruída pelas drogas, os conflitos por terra no Norte e Nordeste se acentuam, nossas crianças são aliciadas pela prostituição, por conta da fome. Não são estas preocupações legítimas da Igreja? Não é lutar por estas pessoas missão do Ministério Eclesial (cf Is 6,1-6)? Que Igreja poderíamos ser, se virarmos as costas ao sofrimento humano, para nos dedicarmos somente à devoções?

Estes que criam boatos acerca da Igreja da Base, sobre a CNBB, sobre o Papa Francisco; são opositores da Igreja de Jesus. São lobos, em pele de cordeiro (cf Mt 7,15). Sementes de divisão. Confundem os pequenos com seus blogs, suas lives, suas postagens cheias de falsa moralização da Igreja. São cegos em sua intolerância, sua teologia plutocrática. São cegos e ousam guiar, incitar o Povo de Deus a um caminho diverso à comunhão. A estes, ficam as maldições de Jesus, nas quais, aquele que não ajunta com Ele, espalha (cf Lc 11,23; Mt 12,30; e mais: Sl 1,4; 1Cor 6,17).

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