Mística encarnada

Por| H. Abreu

O que há de mais perfeito e mais individual na vida de cada homem e mulher é exatamente o elemento que não pode ser reduzido a uma fórmula comum. Cada pessoa humana é fruto de um sonho transcendente. Único, intransferível. Sonho de Deus. Nossa vida, real e incomunicável, foi planejada e realizada no seio de Deus.

O que há de mais de mais perfeito e mais individual na vida de cada homem e mulher é exatamente o elemento que não pode ser reduzido a uma fórmula comum. Cada pessoa humana é fruto de um sonho transcendente. Único, intransferível. Sonho de Deus. Nossa vida, real e incomunicável, foi planejada e realizada no seio de Deus.

Podemos entender que a Providência é o mecanismo, pelo qual, este Sonho de Deus se faz realização. Cada homem e mulher deve manter uma fina sintonia entre seus sentimentos humanos e os de Deus, para – transcendentemente – fazer da Casa Humana, a partir de cada existência – uma resposta pessoal e comunitária da construção das Realidades de Deus, projetos de vida, em antagonismo às realidades terrenos, muitas vezes, projetos de morte.

A Humanidade é vocacionada a ser com Deus, aqui e agora, num processo contemplativo-ativo. Penso que seja um dos maiores problemas, na vida eclesial hoje, o extremismo. Há muitos de nós, talvez nós mesmos, que nos postamos sempre ao extremo de um lado. Queremos ser transformadores desta sociedade injusta, à guisa de profecia, tornando-nos eficientemente militantes. Sempre em comunhão com as lutas sociais, em nome do Evangelho, falamos muito das Vontades de Deus, outrossim, pouco falamos com o próprio Deus. Tornamo-nos áridos em nossa espiritualidade, assemelhando-nos a militantes políticos, sustentados por um discurso religioso. A Vida Eclesial não é um sindicato da fé. Em contrapartida, há muitos de nós que se apegam à uma vida de oração, por piedades e louvores. Isto seria ótimo se, em seu íntimo, toda e qualquer questão secular (social e política), não fosse nivelada ao conceito (quiçá preconceito) de indigno aos homens e mulheres de Deus. Uma espiritualidade alienada da realidade. Pessoas que buscam ser criaturas celestes, enquanto o mundo se desmorona à sua volta.

Em tempos de profecia, devemos ouvir o exemplo dos Grandes Homens e Mulheres Bíblicos. Nenhum deles se revelou profeta, sem que algo de histórico (sobretudo opressão sócio-política), estivesse intimamente ligado. Os contextos de opressão foram sempre o berço histórico e antropológico, no qual, Deus suscitou santos e profetas. É neste sentido que se justifica historicamente Elias, Jeremias, Isaías, Daniel, Débora, Hulda. Maria de Nazaré.

Em tempos de transcendência, peçamos ao Espírito de Deus o discernimento e fé necessários para ter nossos olhos voltados a Ele. E, concomitantemente, nossos pés – sempre – em missão. Nem árida militância, nem espiritualidade alienada. Homens e mulheres de Deus, a serviço de seu Povo.

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