A Paz, tão Esquecida

Por| H. Abreu

Não podemos mais ter contato com as mídias, a imprensa escrita, quaisquer veículos de comunicação; sem que os mesmos estejam impregnados de relatos de violência.

Recentemente, foram 80 tiros por engano. Este fato chocou, mas muitos – todos os dias – nos chegam e reagimos como que amortecidos. Tamanha a normalidade. Normalidade?

Quem apregoou a desvalorização da vida? Quem substituiu o amor pelo des-amor? Quem elegeu o desespero, como paliativo à esperança. A dúvida, como sobrepujou a fé? Como os valores da Verdade Evangélica, se perderam na Mentira da atual conjuntura social, política e religiosa?

Falando sob a ótica cristã, fica-nos a certeza de que os tempos atuais, não são os tempos do Evangelho. A realidade evangélica está calada, sob a ameaça bélica da anti-realidade destes tempos sombrios. Fala-se tanto em Deus, mas muito longe se está dele. Seus valores são esquecidos na vivência, mesmo que aclamados nas palavras. Ouvimos a Palavra de Deus, comungamos liturgicamente do Mistério e, em seguida, partilhamos dos anti-valores de Javé. Paradoxos à sua essência: o amor. Nossas redes sociais estão cheias de discursos de ódio, de intolerância. Muitas vezes, sob a justificativa de ser fiel à vontade do Altíssimo. Quem nos delegou juízes? Quem nos autorizou excomungar, ao contrário do acolher? De desejar a morte a alguém, em paradoxo ao promover da vida? Quem, em nome de Deus, pode desconstruir os Valores do Evangelho que são Justiça, Paz e Alegria; difundindo cultura de ódio, intolerância, sectarismo?

Háum novo modelo de ser cristão em voga: o cristão bélico. São tempos estranhos.

Em meio a tantas barbáries, é inegável concluir: a cultura do ódio está sobrepujando a cultura do amor. Cristo, Príncipe da Paz; sendo – paradoxalmente – anunciado por Cristãos, senhores das armas.

São tempos difíceis. Tempos de se clamar por Profetas. Não escatológicos como nos foi Daniel. De fala cortante, incendiária, como foi suscitada a Amós, Isaías, Jeremias. Quem sabe, nestes tempos, seja mister um Profeta da Perfeita Alegria. Alguém que possa lembrar a simplicidade de Deus. Sua face misericordiosa. Um homem, uma mulher, que testifique doçura, ternura, mesmo em tempos de imperativo vigor. Um Alter Cristus. Um Francisco de Assis. Um instrumento de Paz e Bem. Paz esta, tão Esquecida.

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