A Força dos Pequenos

Por| Hermes A. Fernandes

Há um tempo de Paixões. Gritaria, agressões. Os discursos de ódio se tornaram  comuns. É a nova pedagogia da construção, ou desconstrução, da sociedade. Já não se fala, grita. Já não se pondera sobre o diferente, se destrói. Se não me agrada, não pode existir.

Concorda-se que precisamos de um outro país. Este fere e mata. Mata no físico, pelas várias configurações de carência. Políticas de morte. Mata o psíquico, pois a ausência da fé, é o desespero. Não cremos mais na mudança. Não por nossas mãos. Esperamos o messias. Messias político. Messias moral. Messias, haverá um messias?

Lembro-me de um personagem histórico. Francisco de Assis. Homem que, em meio à uma Igreja e Sociedade corrompidas nos valores primordiais, também ele viveu sua crise.  A fé estava aliada ao poder. O poder, aliado à mentira. Tão atual, tão nosso. Aguardavam um messias? Ele não. Foi na podridão de um leproso que encontrou seu caminho. Viu no mais indesejado dos homens, a resposta. Era pequeno demais para fazer algo grande.  Não podia mudar o mundo. Podia reconstruir seu mundo e, por conseguinte, transformar o que lhe cercava. Pedra por pedra. Pequenas coisas. A esperança foi quem lhe guiou.

FB_IMG_15365021485194271.jpg

Hoje precisamos de outros Franciscos. Para semear esperança. Não aos gritos. Não à guisa de uma revolução, conforme o conceito atual que se dá à palavra hoje. Neste, toda revolução é perigosa. Muitos idealistas, revolucionários, se tornaram ditadores, assassinos.

É tempo de amar. Amar para ser amado. Perdoar e ser perdoado. Levar luz, em tempos de trevas. Deixar-se morrer, para que a vida germine.

Não caiamos na armadilha da pandemia. Da revolução estatutária, como resposta à crise. Fácil gritar palavras de ordem. Difícil é mudar seu mundo com pequenos gestos. O sorriso, a ternura. Há muito de revolução na ternura.

Penso, penso, volto a pensar. E, na noite escura de nossas almas, chego a concluir: Vamos amar. Mudar pelo amor. Chega de ódio. Não participe dele. Quem constrói pelo ódio, nada edifica.

Há que se questionar as conjecturas de morte. Há que se dizer não às injustiças. Há que ser profeta. E profecia é estar a serviço de Deus. Não do ódio. Este, Javé dos Pobres e pequeninos, é amor.

Sejamos aquela civilização, de puros de coração, construtores no silêncio. Não vão destruir nossa terra. Não permitiremos. Queremos uma revolução de paz, que passa pela justiça. É este um imperativo a seguir: ser instrumentos de Paz, construindo o Reino de Deus. Com ternura, fraternidade. Bebendo da fonte sustentável dos pequenos. Da força dos pequenos. E esta é a paz. Inquieta, edificante, transformadora.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s