Ainda sobre as acusações ao Papa Francisco

Por| Hermes Abreu

Hoje estou de mau humor. Não tropecei e machuquei o dedão. Não comi algo que me fez mal. Não. Só escrevi uma carta.

Ontem foi ao ar uma carta aberta de nosso blog em defesa ao papa Francisco. Ao contrário do que esperava, ela não despertou unânime apoio. Minha caixa de mensagens foi invadida por links, nos quais, críticas ao Papa Francisco eram seus temas. Fiquei sem entender. Não é ele nosso sumo pontífice? Não depositamos nele o munus sacerdotalis supremo, como representante do Cristo, sacerdote e vítima? São esses os maiores argumentos quando um conservador deseja defender o uso da batina, a fidelidade às rubricas litúrgicas, entre outras idiossincrasias da turma mais afeita ao antigo. Digo este “antigo” com total despretensão de crítica, pois, se antigo fosse ruim, produto de antiquário não custaria tão caro. O que me espanta é a dubialidade na valência de argumentos. Quando interessa, a tradição, a obediência, são defendidas à unhas e dentes. Quando não, pode-se ser rebelde. Se o munus sacerdotalis vale para defender a tradição, vale também como argumento à obediência ao papa. Outrossim, o que vejo são acusações de omissão em casos de pedofilia, heresia na interpretação dos evangelhos e por aí vai. Factus mirabilis.

Se olharmos pelo prisma da moda, nem os afeitos ao catolicismo fantástico, que falam mais de exorcismo ao demônio do que sobre axiomas teológicos, nem estes, estão corretos. O demônio é o divisor. Diabólico, na raiz grega da palavra, significa aquele que divide. Contraditório alguém postar vídeos, escrever livros sobre exorcismo – a nova onda na barca de Pedro – e criticar, colocar em dúvida, o ministério sumo-pontifício. Ah, amados irmãos, isto tudo me deixa de mal humor.

Enquanto se discute se o Papa tem ou não culpa por omissão nos casos de pedofilia, se ele incorre ou não em heresias na hermenêutica bíblica, suas palavras são esquecidas. Nossas ruas estão cheias de miseráveis, um político doido-matador-homofófico-machista-pirado-na-batatinha corre risco de ser eleito. Além de muitos escândalos de nossa sociedade. Mazelas que nosso Papa sempre nos abre os olhos e exorta a corrigir à luz da fé.

Enquanto a perseguição ao Papa Francisco se configura, acusações lancinantes, clérigos em suas vestes lindas e seus Land Rovers, desfilam dignidade e ortodoxia.

Prefiro uma heresia pequenina à uma Igreja imensamente corrompida pelo poder e ganância. Francisco de Assis também foi visto como herege em seu tempo. Sua heresia foi ter descoberto Jesus pobre.

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