Novas fraternidades, velhos vícios

Por| Hermes Abreu

Primeiramente, antecipo minhas desculpas aos que, munidos de sobriedade e reta intenção, possam se sentir atingidos por nossas palavras. Não são dirigidas ao geral e sim, ao particular.

Há uma reflexão a se fazer. Que a mesma não tarde. Desde os idos anos 1990, vemos desfilar em nossa Igreja, novas comunidades de vida ou Institutos de Vida Consagrada. Até aqui, nenhuma novidade. Desde a consolidação do Cristianismo, homens e mulheres, motivados por um ideal comum, se unem para viver segundo o Carisma que se sentiam inspirados. Assim o foi do século IV em diante, com a vida monástica anacoreta e cenobítica; do século XIII em diante, com as ordens mendicantes; do século XVI, até hoje, com Sociedades de Vida Apostólica, Congregações, Institutos. É a Vida Consagrada fazendo sua História na Igreja. Digna de louvor e ação de graças.

Outrossim, algo deve chamar nossa especial atenção: Em uma breve pesquisa nas redes sociais, encontrei mais de 20 novas fraternidades. Estas, lembrando o modelo de vida inspirado por São Francisco de Assis. Inspiradas em outras espiritualidades, são muitas mais. Nada de errado. Isto, se estivéssemos na Idade Média. Estes Institutos aos quais me refiro, figuram com suas vestes (hábitos religiosos), sempre de uso contínuo. Em alguns casos, ressuscitaram até a tonsura. Costume em desuso desde o Concílio Vaticano II. Resgatam devoções anacrônicas, instituem outras oficialmente abandonadas, como o cilício. Além de considerarem impuros, traidores, indignos; aqueles que não comungam com esta visão de Igreja.

Outro ponto, foi perceber que grande número de membros destas fraternidades, são egressos de experiências religiosas anteriores. Pessoas que não perseveraram em outros institutos e, não felizes por malfadado caminho, ingressam nestes, menos maduros e inaptos na formação. Não seguem os critérios da Igreja. Se resumem às práticas devocionais, litúrgicas e à obediência ao superior. Pensamento medievalista, uma vez que a Igreja, na formação de seus sacerdotes e religiosos, entende a necessidades de se trabalhar todas as dimensões humanas: Intelecto, afetivo, eclesial, mística, etc. O resultado são religiosos em suas caprichadas vestes, com conhecimentos deficientes da Doutrina da Igreja, com opiniões unilaterais sobre diversos temas, incapazes de diálogo, tolerância, comunhão. Um fracasso para a Igreja, enquanto unidade.

Há que se considerar, a priore, não os aspectos humanos envolvidos, mas o Bem da Igreja. Qual a missão destes institutos? Quem está em primeiro lugar? A Pessoa de Cristo ou egos inflados pelo desejo de ter seu lugar ao sol no reino dos “embatinados”? E o povo de Deus, a quem se deve servir enquanto eclesialidade, onde fica nesta “torre de babel” da diversidade de carismas?

Queira Deus nos conceder o dom de discernimento. Importa que Sua vontade se sobreponha à nossa. Antes de tudo, o Bem do Reino. Como bem nos ensinou São Bento de Núrsia: “Nada antepor ao amor de Cristo.”

arca

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