Escolher o melhor Lugar

Por| Hermes  A. Fernandes

Muitos se questionam sobre qual o melhor, ou mais acertado caminho. Quando nos deixamos seduzir por Jesus e seu projeto, é normal discernirmos qual o caminho. Seguir Jesus é algo abrangente. Assim como secularmente vivemos a cultura do especialismo, na Igreja, precisamos nos identificar com o caminho, dentro do Caminho. As veredas se nos apresentam em forma de pastorais, movimentos, associações de fiéis, entre tantas. Qual o melhor Caminho?

Vivemos em um mundo desumanizado em suas relações. Pessoas morrem de frio na maior Capital do Brasil, São Paulo, por estarem sem habitação. Não é a falta de morada digna, é viver em situação de Rua. Morar nas ruas, dormir abaixo de pontes, marquises. Onde fica o Projeto de Jesus dentro deste desafio? Qual será nossa resposta enquanto arautos da misericórdia de Deus, face a estes excluídos e marginalizados? A misericórdia é um imperativo evangélico (cf. Mt 9,13).

No Rio de Janeiro, vive-se em campo de guerra. Não é incomum se sair de casa para trabalhos ou estudos e ser surpreendidos  por tiroteios e, nestes, a morte prematura. Onde está o Reino de Deus em um mundo de mortes, banditismo, violência?  Este fardo de aflição deve tocar o coração da Igreja de Jesus, pois Ele mesmo disse trazer alívio aos aflitos (cf. Mt 11,28).

No norte do país, os conflitos por terra ainda são uma realidade lancinante. Estes desafios produziram mártires como Dorothy Stang, Ezequiel Ramin. Não só a posse da terra é digladiada. A dignidade dos pequenos trabalhadores, o respeito às terras indígenas, a preservação de uma cultura e a Natureza. O Direito é privilégio de alguns. Dos abastados, aliados dos detentores de poder. Outrossim, a Palavra de Deus não nos ensina isto. Ao Contrário, dignidade e justiça foram tema de várias profecias (cf. Am 5,24; Ex 23,6).

Poderia me estender no elenco dos desafios sociais que nos são lançados aos olhos. Importa que nos deixemos sensibilizar e conscientizar face aos mesmos. Estou plenamente convencido de que toda e qualquer ação pastoral só se justifica a partir da realidade do sofrimento humano. Aquele que deseja ser anunciador do Evangelho deve, antes de mais nada, colocar-se do lado do Pobre, dos oprimidos por esta sociedade viciada em assassínio moral, ético, étnico. O mundo dos poderosos não só despreza os pobres, ele os odeia. Quer destruí-los para que seu mundo de conto de fadas, de fetiche de consumo, não seja interpelado pela feiura do sofrimento.  Cabe a Igreja de Cristo estar ao lado deles, defendendo-os e, se necessário, dar a própria vida. A Igreja de Cristo deve ser profética, anunciadora das Verdades Evangélicas. Contra toda forma de opressão, enganação. É optar pelas periferias do mundo. (cf. Lc 4, 18ss).

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Volto à pergunta que motivou este texto: Qual o melhor caminho na Igreja? Onde é meu lugar? O meu, o nosso lugar, é o mesmo de Jesus. Ao lado dos pobres e desvalidos. Sendo instrumento de Paz, aconchego, acolhida. Amando sempre, colocando-se ao lado de todos aqueles que sofrem. Estar ao lado dos pobres, é escolher o melhor lugar.

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