O menino com a camisa da escola!

O menino com a camisa branca de faixa azul!… Eles não viram? Não, eles nunca veem, aliás, ninguém vê.

Por Cesar Kuzma

Eles não viram? Não…? Será?… que importa agora, eles não querem ver, não quiseram ver. Afinal ninguém quer ver, porque ver é muito mais que olhar, ver é perceber, ver é se importar, ver é se deixar tocar, ver é protestar e se revoltar, é se inconformar. Ver é sentir o que acontece, o que se passa e que ninguém quer ver.

Então, é mais fácil atirar, e assim se resolve, pronto, pois na desigualdade são todos iguais, todos iguais numa desigualdade que não se quer ver, apenas se permite olhar, mas olhar não é ver. Ver é mais que olhar.

Então atiramos, atiramos a nossa arrogância e o nosso modo de viver e de encarar as pessoas. Pessoas que o nosso olhar não nos permite ver, ou não se quer ver.
Então, atiramos, e se atira, um dia, e no outro, e sempre.
Mas, o menino com a camisa da escola? O menino com a camisa branca de faixa azul? Ninguém viu?

O nome dele era Marcus Vinícius, e ele tinha 14 anos.
Agora, ninguém mais vê o menino, mas a dor da sua mãe nos faz olhar a sua camisa, numa faixa azul manchada de sangue, num olhar que nos faz ver.
E como dói ter que ver o que não se viu e o que não se vê!
Que possamos ver!

Devemos ver!

Porque ver é mais que olhar!

O nome dele era Marcus Vinícius, e ele tinha 14 anos, e nós tínhamos que ver.

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