Onde erram nossos seminários?

Por H. Abreu, ofm

Já dizia o saudoso Dom Luciano Mendes de Almeida: ”No seminário se constrói o homem e se aprimora a vocação”. Penso serem estas palavras de grande sabedoria. Mais que preparar alguém para o estado clerical, no seminário se constrói o homem. Em verdade, o clérigo não é um ser angélico. É homem, sujeito às fragilidades de sua humanidade. Não se deve negar a humanidade com maquiagens estéticas.

Nos últimos tempos, tenho prestado muita atenção nos atuais candidatos ao sacerdócio. Os rapazes saem do acompanhamento vocacional e, poucos dias após seu ingresso ao seminário, já envergam um impecável clergymam e túnicas solenes em seus cortes e bordados. Penso que já podemos perceber aí um erro. Se o clergymam é um símbolo do estado clerical, deve ser vetado aos seminaristas. Estes são leigos ainda. Seminarista é candidato à vida clerical. Não é clérigo. Quanto às túnicas, estes quase que ofuscam os presidentes das celebrações. Há seminaristas vestidos mais solenemente do que os padres que presidem às liturgias. E mais, qual a justificativa litúrgica para estar o seminarista vestindo uma túnica nas missas?

Além destes equívocos estéticos, até mesmo litúrgicos, motivados por sentimentos principescos, há também os sonhos que acalentam: Uma boa posição na sua Igreja Particular (diocese), uma paróquia bem estruturada, um bom carro e, quem sabe, o Santo Padre não lhe faz bispo? Há até alguns seminaristas que têm seu canal privado no Youtube, preparando-se, assim, uma carreira paralela de sacerdote midiático. Não é incomum ver seminaristas se preparando para engrossar as fileiras dos padres cantores e apresentadores de programas na TV.

Entre estas coisas, onde está o serviço ao Povo de Deus?

Penso que estes nossos candidatos ao sacerdócio estão surdos aos apelos de nosso Papa Francisco. Onde está nos comportamentos e sonhos acima citados, o ideal de ser pastor com cheiro de ovelha? Onde estão homens dispostos a estar em meio aos menos favorecidos? Quem deseja estar na Amazônia como missionário? Nas periferias? Na evangelização e resgate de nossos irmãos e irmãs em situação de rua?

Está difícil encontrar vocacionados dispostos a seguir os passos de Dom Pedro Casaldáliga, Dom Erwin Krautler, Padre Josimo. Temos é uma grande oferta de padres midiáticos. Da Igreja das relações virtuais, impessoais.

Penso que esse deve ser um debate a acontecer. Onde está o erro de nossos seminários? Temos muitos chamados às honras, mas poucos buscando a cruz.

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