Quando a Catequese falha, a Psicologia pode ajudar

Por  H. Abreu

Algumas situações no trato pastoral parecem fugir ao controle. Estão além do conhecimento bíblico-catequético, da teologia. Tratam-se de relações interpessoais que interferem no caminhar eclesial. Pessoas com sérias dificuldades de entendimento de discursos ou práticas na Igreja. Dificuldades em se relacionar, trabalhar em equipe, confiar ou inspirar confiança.

Desde o Concílio Vaticano II que vivemos o sonho do protagonismo leigo. Este, o leigo, deixou de ser seguidor para ser construtor do Projeto de Jesus. Deixou de ser assistente para ser celebrante na Liturgia. Não é estar em, mas estar com. Não é ir à igreja, mas ser a Igreja. Com estes avanços, as idiossincrasias se manifestaram junto à possibilidade de se ter voz e manifestar opinião. Vieram as apatias, antipatias, discursos de ódio, manipulação da estima e do que se entende ser o poder. Estes problemas não são de fundo catequético. Estão na alçada do comportamento. E deveriam ser tratados assim.

Exemplificando: não é raro ouvirmos queixas de irmãos e irmãs que o padre não lhes deu a devida atenção, que aquela pessoa lhe olhou estranho, que o irmão coordenador desta ou daquela pastoral não valoriza seu empenho. Seria mesmo caso de se avaliar o caminhar pastoral ou os sentimentos em choque nestes casos?

Sentimentos: território difícil de pisar!

Fato é que muitos caminhares são interrompidos por mágoas nascidas, equívocos de entendimento não elucidados, sentimentos conflituosos. Há que se conformar com a ideia de que são coisas do humano? Ou vamos finalmente entender que a Graça de Deus pode agir por conhecimentos específicos, saberes específicos. Estou convencido de que muitos dos dissabores vividos em nossas comunidades poderiam ser evitados ou resolvidos com a ajuda de profissionais do comportamento humano. A Igreja deve lançar mão aos Psicólogos, terapeutas, educadores, na formação de leigos e leigas. Assim como, em muitos casos, já o faz na formação para a Vida Religiosa e Sacerdotal.

Há muito material humano perdido por conflitos desnecessários em nossas comunidades. Há muitos corações feridos por razões além de nossa compreensão periférica. Devemos nos valer do conhecimento específico, da ajuda profissional adequada, para este intento. Sendo função da Igreja promover a vida, deve fazê-lo por excelência. Quando a catequese falha, a psicologia pode ajudar.

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